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Obama deve exaltar trabalho de Hillary em discurso na convenção democrata

No mais importante discurso de apoio a Hillary Clinton da convenção democrata, o presidente Barack Obama refutaria ontem a visão sombria dos EUA apresentada pelo republicano Donald Trump na semana passada e diria que sua ex-secretária de Estado é a pessoa mais preparada para sucedê-lo na Casa Branca.

"A América que eu conheço é cheia de coragem, otimismo e criatividade. A América que eu conheço é decente e generosa", afirmaria Obama, de acordo com trechos do discurso distribuídos com antecedência por sua assessoria. Obama reconheceria que o país enfrenta problemas, entre os quais "bolsões" que nunca se recuperaram do fechamento de fábricas provocado pelo processo de globalização.

Os atingidos por esse movimento são "homens que se orgulhavam de trabalhar arduamente para sustentar suas famílias e que agora se sentem esquecidos" ou "pais que se perguntam se seus filhos terão as mesmas oportunidades que eles tiveram".

Obama também faria referência aos sentimentos de choque e tristeza gerados pela "loucura" de ataques terroristas como os de Orlando e Nice. "Com certeza nós temos ansiedades reais, sobre pagar contras, proteger nossos filhos, cuidar de um pai doente." Mas o presidente ressaltaria que as coisas que estão dando certo no país superam os seus problemas, em uma rejeição ao cenário de violência, pobreza e caos desenhado por Trump no discurso em que aceitou a nomeação do Partido Republicano para disputar a Casa Branca. "Eu vejo pessoas trabalhando duro e começando novos negócios, pessoas ensinando seus filhos e servindo nosso país. Eu vejo uma geração mais jovem cheia de energia e novas ideias."

O discurso também ressaltaria o temperamento de Hillary e sua experiência como secretária de Estado. "Nada realmente prepara você para as demandas do Salão Oval", diria Obama. "Mas Hillary esteve naquela sala, ela foi parte daquelas decisões", ressaltaria. "Mesmo no meio de uma crise, ela escuta as pessoas, mantém a calma e trata a todos com respeito. Não importa quão assustadoras sejam as probabilidades, não importa quantas pessoas tentem derrubá-la, ela nunca, ela jamais desiste. Essa é a Hillary que eu conheço. Essa é a Hillary que eu passei a admirar", diria Obama sobre sua adversária nas primárias democratas de 2008.

Um dia depois da vitória da ex-secretária de Estado na convenção democrata, eleitores de Bernie Sanders começaram ontem a fazer a transição na direção da candidata. Na segunda-feira, Sanan Elquesny nem considerava a possibilidade de não votar em Sanders na eleição de novembro. Ontem, ele já dizia que o apoio à ex-secretária de Estado é a única opção para evitar que Trump chegue à presidência.

"Temos de aceitar que o nosso cara não ganhou", disse Elquesny, de 24 anos. "A beleza da América é a sua diversidade e Trump está tentando transformar muçulmanos e mexicanos em bodes expiatórios de nossos problemas", disse Elquesney, muçulmano filho de um egípcio e uma dominicana.

O movimento é repetido por vários dos seguidores do senador, que nos dois primeiros dais da convenção democrata na Filadélfia lançaram mão de vaias e palavras de ordem para atacar a candidata do partido. Também muçulmana, Nida Allam disse que votará em Hillary. "Eu não sou uma pessoa 'Bernie ou exploda', mas sempre terei um lugar para a revolução", disse Allam. "Ainda que eu não concorde com muitas de suas opiniões, eu acredito que Hillary Clinton é melhor do que Trump."

Mesmo derrotado, Sanders empurrou para a esquerda tanto o Partido Democrata quanto a candidata à presidência, o que se refletiu no programa da legenda aprovado na Filadélfia. "Nós estamos muito satisfeitos com a plataforma", disse ao Estado Haakon Thorsen, delegado da Carolina do Norte que foi um dos representantes de Sanders no comitê que redigiu o programa. Apesar de estar insatisfeito com a condução das primárias pela direção do partido, ele votará em Hillary. (Claudia Trevisan)