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Otan e Rússia não chegam a consenso sobre divergências na Ucrânia e Afeganistão

O primeiro encontro do Conselho Otan-Rússia em quase dois anos durou toda quarta-feira, mas falhou na tentativa de estreitar as relações entre Moscou e a aliança intergovernamental liderada pelos EUA, no momento mais crítico vivenciado pelas partes desde a Guerra Fria. "Otan e Rússia têm profundas e persistentes diferenças", afirmou o secretário-geral Jens Stoltenberg, que presidiu o Conselho. "O encontro de hoje não mudou esta situação".

O embaixador russo Alexander Grushko foi menos pessimista. Após a reunião com representantes de 28 Estados-membros da Otan, Grushko disse que "é melhor conversar do que não falar nada", embora tenha deixado claro que a posição do Kremlin é a de que "se a Otan não reduzir a atividade militar na área adjacente ao território russo, não será possível manter um diálogo construtivo respaldado por um princípio de confiança mútua".

Segundo Stoltenberg, a ocasião serviu para debater de forma "franca" a situação na Ucrânia, os problemas relativos às atividades militares de ambas as partes e a segurança do Afeganistão - o país tem sido alvo de ameaças de grupos extremistas da região.

O Conselho Otan-Rússia foi criado em 2002 com o objetivo de fazer com que ex-adversários na Guerra Fria reatassem relações. O último encontro havia sido em junho de 2014, quando da anexação da Crimeia pelo Kremlin. Em retaliação, a Ucrânia se aproximou do Ocidente. Naquela ocasião, o encontro não resultou em acordo frutífero, no entanto, de acordo com o secretário da organização, os estados membros e a Rússia concordaram em um ponto: a necessidade de se implementar o protocolo de Minsk, cujo objetivo é encerrar o conflito no leste da Ucrânia.

Para alguns representantes, o simples fato de Otan e Rússia sentarem-se na mesma mesa já é significativo. "Hoje houve um reconhecimento pelos dois lados quanto a importância de manterem conversas entre si", disse Ian Kearns, diretor da European Leadership Network, um grupo de discussão sediado em Londres. Kearns diz aguardar novas negociações, sobretudo porque isso é do interesse de Rússia e EUA.

Frank-Walter Steinmeier, ministro do Exterior da Alemanha, cujo país é um dos principais membros da Otan na Europa, afirmou que já não se esperava um tom harmonioso em Bruxelas, mas, "devido ao número de dificuldades previstas, a conversa em si já é um avanço", ponderou. "Esta é a única forma de encontrarmos as soluções necessárias".

O encontro não conseguiu, entretanto, apresentar uma ideia concreta sobre um ponto ao qual Stoltenberg havia destacado como prioridade: formas de reduzir o risco das atividades militares.Fonte: Associated Press.