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Papa Francisco pede à Armênia que se reconcilie com Turquia e Azerbaijão

(Foto: ONU/ UN Photo/Amanda Voisard/Eskinder Debebe/Rick Bajornas/Mark Garten) - Papa pede à Armênia que se reconcilie com Turquia e Azerbaijão
(Foto: ONU/ UN Photo/Amanda Voisard/Eskinder Debebe/Rick Bajornas/Mark Garten)

O papa Francisco terminou uma viagem de três dias à Armênia com uma visita a um mosteiro perto da fronteira do país com a Turquia neste domingo, libertando pombas brancas em um gesto simbólico de paz entre os dois países. A conclusão da viagem no mosteiro de Khor Virap colocou em evidência as relações do país com seus vizinhos. O papa condenou a morte de armênios pelos turcos, considerando-as um genocídio - comentário que atraiu a ira de Ancara -, mas exortou-os à reconciliação, bem como com o vizinho Azerbaijão.

Mais cedo, o papa visitou Vagharshapat para participar de uma missa perto da catedral Etchmiadzin, construída no início do século IV. Antes de partir para Khor Virap, o Papa Francisco e Catholicos Karekin II, líder da Igreja Apostólica Armênia, à qual a maioria dos armênios pertencem, assinaram uma declaração comum desaprovando a situação das minorias religiosas e étnicas, especialmente de cristãos, no Oriente Médio.

Os dois líderes religiosos lembraram dos "inúmeros inocentes que estão sendo mortos, deslocados ou forçado a um exílio doloroso e incerto devido aos contínuos conflitos por motivos étnicos, econômicos, políticos e religiosos". O documento de 1.100 palavras fez referência a um "ecumenismo de sangue", tornando as igrejas cristãs mais próximas no seu sofrimento compartilhado.

Eles não se referiram explicitamente ao terrorismo islâmico, mas lamentaram a "apresentação da religião e de valores religiosos de uma forma fundamentalista, usada para justificar a difusão do ódio, da discriminação e da violência." Eles disseram que a "justificação de crimes com base em ideias religiosas é inaceitável."

Genocídio

O documento também repetiu a referência de uma declaração conjunta de 2001 de Catholicos Karekin e o Papa João Paulo II que descrevia as mortes de armênios pelos turcos como o "primeiro genocídio do século XX".

A questão sobre se o papa iria usar a palavra genocídio vinha sendo levantada desde que a viagem foi anunciada. Quando ele descreveu o massacre como genocídio no ano passado, Ancara retirou seu embaixador junto à Santa Sé por quase um ano.

E logo no início de sua visita o papa aproveitou para condenar "aquela tragédia, aquele genocídio", como "o primeiro de uma série de catástrofes deploráveis do século passado". A Turquia reprovou fortemente as declarações neste sábado. "A declaração do papa é muito lamentável", disse o vice-primeiro-ministro Nurettin Canikli. "Infelizmente, é possível ver todas as reflexões e vestígios de uma mentalidade de cruzada nas ações do papado e do papa".

Em uma entrevista na noite de sábado, o porta-voz do o Vaticano Federico Lombardi disse que o papa não tinha qualquer má vontade para com o povo turco, acrescentando que o pontífice havia claramente falado em nome da reconciliação durante a visita.

O Papa Francisco também citou tensões entre a Armênia e outro vizinho, o Azerbaijão. Os piores combates em mais de uma década começaram este ano no enclave armênio de Nagorno-Karabakh, que está dentro das fronteiras do Azerbaijão predominantemente muçulmano. Uma guerra de seis anos sobre a região foi encerrada com um acordo de cessar-fogo em 1994, mas os dois lados continuam a se acusar mutuamente de ataques ocasionais de bombardeios.

O papa planeja visitar o Azerbaijão juntamente com a Geórgia ainda este ano. O Vaticano apresentou as duas viagens como parte de uma única visita ao Cáucaso. (Fonte: Dow Jones Newswire)