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Powell engrossa coro de dirigentes do Fed que veem alta em breve de juro nos EUA

Nova York, 26 (AE) - O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, membro votante nas reuniões de política monetária, é o mais novo dirigente do maior BC do mundo a falar da possibilidade de alta próxima dos juros. Nesta sexta-feira, em um discurso em Washington, ele argumentou que as condições da economia dos Estados Unidos podem justificar uma elevação das taxas "muito em breve", reafirmando o que a ata do encontro de abril havia sinalizado.

Powell é um dos diretores do Fed que menos tem falado publicamente da economia norte-americana e política monetária, preferindo focar seus discursos em regulação do setor financeiro. Uma de suas últimas declarações públicas sobre política monetária foi em fevereiro, quando falou que o BC é dependente de indicadores para tomar decisões e que isso pode causar surpresas nos mercados. Nesta sexta, Powell afirmou em Washington que não decidiu como será seu voto na reunião de junho, justamente porque vai avaliar os próximos indicadores da economia norte-americana.

Powell destacou hoje que não há um esforço concentrado dos dirigentes do Fed para sinalizar que uma alta de juros está próxima, fazendo com isso os investidores revisarem suas expectativas, na medida em que muitos estavam descartando aumentos mesmo até o final de 2016. Os economistas não concordam com a declaração de Powell. "Em discursos recentes, diretores e dirigentes regionais do Fed vêm sugerindo que o mercado pode estar subestimando a chance de uma alta de juros no meio do ano", destaca o estrategista da gestora RW Baird, Bruce Bittles.

O responsável pela regional de Boston, Eric Rosengren, afirmou no domingo que as condições econômicas da economia dos EUA estão perto de justificar uma alta de juros em junho. Na mesma linha, o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, declarou na noite de segunda-feira que uma alta nesta reunião não deve ser descartada. Já o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, reafirmou que prevê de "duas a três" altas de juros este ano.

Para o economista do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, os recentes discursos dos dirigentes do Fed e a ata da última reunião já conseguiram mudar de forma considerável as expectativas do mercado financeiro para uma alta dos juros em meados deste ano. As apostas no mercado futuro na Bolsa de Chicago sinalizavam antes da divulgação da ata probabilidade de 27% para uma elevação das taxas na reunião de julho. Hoje, o porcentual estava em 46%. Para reunião de junho, o porcentual subiu de 4% antes da ata para 26% nesta sexta.

Nas declarações de Powell, LaVorgna avalia que o diretor do Fed fala em alta próxima, mas também pondera sobre riscos para o cenário e menciona a votação da saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 23 de junho. Powell fala que o evento pode ser um fator de cautela para a reunião dos dirigentes do Fed, que acontece uma semana antes. Ontem, o responsável pelo Fed de Dallas, Robert Kaplan, também mencionou que a votação é um fator de preocupação. Já Harker, da Filadélfia, minimizou os impactos e disse não acreditar que o evento vá direcionar a reunião de junho. (Altamiro Silva Junior, correspondente, altamiro.junior@estadao.com)