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Presidente da Venezuela diz que rede Telesur será mantida, mesmo sem Argentina

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, descartou que a rede pan-americana Telesur possa desaparecer, após o anúncio de que a Argentina deixará a sociedade que forma o meio de comunicação. Outros cinco países da região estão envolvidos no projeto.

"Não poderão fazer a Telesur desaparecer. Se o proíbem na Argentina, milhões de argentinos o verão pela internet, pelas redes sociais", afirmou na noite de segunda-feira Maduro, durante um ato no palácio de governo difundido pela emissora estatal venezuelana. "A Telesur seguirá levando a verdade, defendendo a verdadeira liberdade de expressão dos povos, frente a esta arremetida da direita que ganha valentia em seu momento", acrescentou Maduro.

As declarações são feitas após o anúncio do governo argentino de que sairá da sociedade do canal regional porque não tem poder sobre os conteúdos nem a administração financeira da Telesur, sediada em Caracas. "Nos pareceu pertinente sair de uma sociedade de onde a Argentina não tinha realmente um controle real", disse o ministro argentino de Meios e Conteúdos Públicos, Hernán Lombardi, ao explicar a decisão.

Com isso, a Argentina se tornou o primeiro sócio fundador a abandonar o canal criado em 2005. O projeto foi uma iniciativa do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez para promover a voz dos governos de centro-esquerda da região e criar uma alternativa para as informações oferecidas por outras redes internacionais, como a norte-americana CNN.

Lombardi descartou, na noite de segunda-feira, em declarações à CNN en Español, que a Telesur vá sair da Argentina. Segundo ele, a rede poderá seguir em operação com total liberdade, como os demais meios.

A Argentina tinha uma participação acionária na Telesur que "oscilou entre 19% e 14%, em função de como isso ia se recompondo a partir de Caracas", disse o ministro argentino. A Venezuela é a principal acionista e financiadora da cadeia regional, que também tem participação de Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua e Uruguai.

A Telesur disse em comunicado que não é por acaso que o anúncio seja feito pelo governo do presidente Mauricio Macri. Na avaliação da rede, trata-se de "mais uma arremetida para censurar a informação" por parte do governo argentino. A Telesur lembra na nota que realizou ampla cobertura de uma série de marchas contra Macri, após ele demitir centenas de funcionários públicos.

Na prática, a decisão do governo argentino implica que o sinal da Telesur deixará a lista de canais do sinal Televisión Digital Argentina, controlada pelo Estado argentino. Os operadores privados de cabo podem continuar a oferecer o sinal ou retirá-lo.

A saída da Telesur é um novo foco de tensão na já complicada relação entre Argentina e Venezuela desde que Macri subiu ao poder, em 10 de dezembro. Diferentemente da antecessora, Cristina Kirchner, Macri questiona abertamente a prisão de dirigentes opositores na Venezuela e já sugeriu que o país deveria ser expulso do Mercosul, enquanto Cristina mantinha uma aliança com Chávez e depois com Maduro. Fonte: Associated Press.