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Trump anuncia secretário de Defesa e ataca mídia em 'turnê da vitória'

(Foto: Divulgação) - Trump anuncia secretário de Defesa e ataca mídia em 'turnê da vitória'
(Foto: Divulgação)

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Donald Trump está de volta à estrada -e, mantendo o clima de reality show adotado para montar seu gabinete, adiantou em comício que indicará o general James "Mad Dog" Mattis, que já pôs o "islã político" como a maior ameaça aos EUA, como seu secretário de Defesa.

Antes de divulgar o nome, que só será oficializado na semana que vem, fez uma pausa dramática. Depois pediu, como se desse uma piscadinha: "Mas não contem a ninguém".

Para assumir o posto, o general depende do Congresso. Hoje, pela lei federal, a pasta só pode ser chefiada por alguém inativo nas Forças Armadas há pelo menos sete anos. Ele se aposentou em 2013.

Congressistas já aprovaram uma exceção à regra antes, em 1950, com o general George Marshall. Poderiam votar nova legislação para permitir a posse de Mattis, que em 2015 defendeu que os EUA liderassem a "ordem internacional", e que assim o fizessem "sem pedir desculpas pelas liberdades das quais todos nesta sala desfrutamos".

O militar reformado já foi do alto escalão da Otan, aliança militar ocidental que Trump tachava de "obsoleta".

É favorável a uma postura agressiva contra "adversários" dos EUA, como Irã -já disse que o acordo nuclear que Barack Obama assinou com o país pode retardar, mas não deter a ambição belicista de Teerã.

O presidente eleito começou em Ohio, na quinta (1º), a "USA Thank You Tour" (turnê de agradecimento pela vitória), ao som de "Proud to Be an American" (orgulho de ser americano), country de Lee Greenwood.

No Estado onde ganhou por oito pontos, ele trucidou a "desonesta" mídia americana, revivendo o clima belicoso da campanha, na qual "nos divertimos um bocado lutando contra Hillary [Clinton]".

A plateia entoava "coloque ela na cadeia!", onipresente nos atos eleitorais de Trump. Se na campanha ele encorajava o coro, dessa vez nada falou. Como presidente eleito, ele já disse que não pretende insistir em investigações contra a ex-rival, por uso de um e-mail privado quando Hillary era secretária de Estado e supostas malfeitorias na Fundação Clinton.

Sem essa carta na mão para incendiar a plateia, ele se voltou contra outro alvo frequente na campanha: jornalistas.

A certa altura, apontou para repórteres no fundo (vaiados por centenas) e reforçou a ideia da imprensa como inimiga.

"E quando uma âncora começou a chorar quando viu que ganhamos?" Referia-se a Martha Raddatz, da ABC, que mediou o segundo debate presidencial, em outubro, ao lado de Anderson Cooper (CNN). Ela não chorou no ar, mas pareceu abalada no dia, sobretudo ao ler um comunicado do senador Tim Kaine (vice de Hillary) sobre a vitória de Trump.

O republicano criticou emissoras por transmitirem, até o último momento, a ideia de que ele não tinha chances de ganhar a eleição, pautadas por pesquisas que se mostraram equivocadas.

Trump descreveu como venceu em Estados onde democratas passaram anos invictos (como Wisconsin e Michigan). Caçoou de analistas políticos que duvidaram de sua capacidade de quebrar o chamado "paredão azul" (cor associada ao partido de Hillary).

"Nós não o quebramos, nós o demolimos!"

As desavenças com a mídia, com quem vive relação de algum amor e muito ódio, foram atualizadas. Ele atacou críticas de que seu gabinete está em sintonia com Wall Street.

Citou sua escolha para a pasta do Comércio, Wilbur Ross, ex-banqueiro e dono de patrimônio de US$ 2,5 bilhões. "Bom, [indiquei] porque ele sabe como fazer dinheiro."

Uma emissora ao menos foi exaltada: a ESPN. Trump lembrou de ter visto um comentarista dizendo que a eleição foi um evento "melhor do que qualquer luta ou jogo de futebol".

Mais cedo, ele esteve em Indiana. Visitou uma fábrica de ar-condicionado que concordou em não mudar suas operações para o México, após acordo com o presidente eleito e autor do best-seller "A Arte da Negociação" (1987).