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Turquia publica primeiro decreto sob estado de emergência

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e seu governo publicaram neste sábado o primeiro decreto desde o anúncio do estado de emergência no país. O decreto, que tem como alvo membros de uma suposta organização terrorista acusada de tramar a tentativa fracassada de golpe de Estado, determina o fechamento e confisco de propriedades de 2.341 instituições.

Entre essas instituições estão escolas particulares, pensões, universidades, sindicatos, entidades beneficentes e fundações, de acordo com a decisão publicada no diário oficial do país. O governo também elevou para 30 dias o período de detenção preventiva, ampliou seus poderes para demitir funcionários públicos e autorizou promotores a gravarem conversas entre suspeitos e seus advogados.

As medidas publicadas neste sábado dão uma ideia de como o governo vai usar seus poderes durante o estado de emergência, decretado na quinta-feira. Erdogan prometeu acabar com o movimento de Fethullah Gulen, o clérigo turco auto-exilado nos EUA que é acusado de ser o mentor da tentativa de golpe. Gulen nega as acusações. Autoridades turcas acusam Gulen e sua rede de se infiltrar na ampla burocracia do país para criar um "Estado paralelo" e tentar derrubar Erdogan.

"Eles entraram em metástase, como um câncer. Precisamos extirpá-lo da melhor maneira para que o Estado nunca passe por esses problemas novamente", disse Erdogan à rede francesa de TV France 24, em entrevista transmitida neste sábado. "Vamos resolver essa questão com decretos, com medidas que tomaremos sob a lei de estado de emergência."

Aliados ocidentais da Turquia alertaram que a retaliação pela tentativa de golpe pode acabar atingindo pessoas inocentes, enquanto legisladores de oposição em Ancara temem uma caça às bruxas.

Na sexta-feira, em sua primeira declaração pública sobre a tentativa de golpe, o presidente americano Barack Obama condenou o ataque ao governo democraticamente eleito da Turquia. Ele também pediu que Erdogan preserve as liberdades democráticas durante o combate ao que Ancara classificou como ameaça à segurança nacional. "Esperamos que não ocorra uma reação exagerada que possa levar, de alguma forma, ao cerceamento das liberdades civis", disse Obama. Fonte: Dow Jones Newswires.