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A vida depois de um acidente de trânsito

A vida depois de um acidente de trânsito

Você sabe o que acontece com uma pessoa que sobrevive a um acidente de trânsito? O questionamento foi feito pela servidora pública Elza Gonçalves Massene, que há mais de um ano faz três sessões de fisioterapia por semana para manter o que restou de movimento na perna esquerda. 

Ela estava de moto quando um motorista bêbado invadiu a preferencial. “Tive fratura exposta, fiquei 40 dias internada, parei de estudar, parei de trabalhar, estou encostada pelo INSS e luto todos os dias para não perder o movimento total da perna”, desabafou.

 “Quando a gente vê um acidente na tv não imagina que a vida das pessoas pode mudar pra sempre”, disparou.

Elza é apenas uma das pacientes que busca reabilitação no setor de Fisioterapia do Centro de Especialidade Médicas (CEM), anexo ao Hospital Municipal. Como ela, pelo menos 30% dos pacientes tiveram traumas por envolvimento em colisões. 

O vigilante Daniel Borges, 24, iniciou as sessões de fisioterapia há duas semanas. Ele também foi atingido por um carro quando pilotava sua moto. 

“Não consigo esticar e nem dobrar a perna direita, mas a fisioterapia deve me ajudar a voltar a caminhar normalmente”, disse, confiante. 

Ele vai fazer quatro sessões por semana durante três meses. 

“Por causa das sequelas, não posso trabalhar e estou morando com meus pais. A vida da gente fica paralisada depois de um acidente de trânsito”, garantiu.

Praticamente todas as vítimas de acidentes com moto têm os membros inferiores atingidos. Mairi Pivotto, 50, também faz reabilitação no CEM para tratar um problema no joelho. Ela estava de moto quando foi atropelada por um carro.

“Agora passo a semana fazendo fisioterapia para tentar retomar a rotina”, disse a autônoma, que está sem trabalhar porque tem dificuldade de locomoção. “Para alguns pacientes, as sequelas são irreversíveis e a fisioterapia entra como auxiliar no tratamento”, explicou o fisioterapeuta Nabil El Hajjar.

PRONTO SOCORRO

Os três pacientes tornaram-se personagens de reportagens, demonstrando a luta diária por reabilitação. Eles ilustram com precisão os dados divulgados pela Fundação Municipal de Saúde sobre os atendimentos no Pronto Socorro do Hospital Padre Germano Lauck. 

O levantamento referente a 2015 mostra que as vítimas do trânsito são responsáveis por 23,3% do total de atendimentos. Entre as vítimas de acidentes, 43,4% sofreram trauma em colisões com moto. O índice já foi maior em 2014, chegando a 60%. 

“No ano passado, recebemos 921 pacientes que sofreram acidentes com moto, e 67 foram em colisões de moto com moto”, espanta-se o médico plantonista, Antônio Carlos da Silva Carvalhal, que há 30 anos trabalha no setor de saúde em Foz.

Praticamente toda a ala de ortopedia do Hospital Municipal é ocupada por vítimas de acidentes, com politrauma. “O custo para o hospital chega a R$ 2 milhões por mês”, afirma a diretora-presidente da Fundação Municipal de Saúde, Patrícia Foster Ruiz. 

“A campanha Maio Amarelo é uma aliada na conscientização dos motoristas e redução dos acidentes, e tem um reflexo direto nos hospitais referência em trauma, como o Hospital Municipal”, concluiu.

NÚMEROS

Em 2015, o Pronto Socorro do Hospital Municipal atendeu 9.079 pacientes, média de 24,8 por dia. Desse total, 2.122 (23,3%) eram vítimas de acidentes de trânsito e 921 sofreram colisões envolvendo motocicletas. Em 2014, o total de atendimentos chegou a 9.865 com média diária de 27 pacientes. As vítimas de acidente nesse período somaram 2.422. Sessenta por cento eram vítimas de acidentes com moto.

De acordo com o Detran do Paraná, 500 motociclistas morrem por ano no Estado e 20 mil ficam feridos. A cada hora são registrados, em média, três acidentes com motos. Segundo a Associação Brasileira de Prevenção dos Acidentes de Trânsito, o risco de morrer sobre uma motocicleta é 20 vezes maior do que em uma colisão com automóvel, e 60 vezes se o motociclista não tiver usando capacete.

Colaboração: Assessoria de imprensa