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Abrigo para vítimas de violência vira alvo de polêmica

A Casa Corina Portugal, criada em Ponta Grossa para acolher mulheres vítimas de agressão, se tornou centro de uma polêmica a partir de denúncias de vizinhos que questionam o uso da instituição. O abrigo existe desde 2010 e é mantido pela Prefeitura. O objetivo inicial seria dar abrigo para mulheres que foram vítimas de violência doméstica, mas moradores do entorno que preferem não se identificar apontam supostas irregularidades.

“O que estava chamando a atenção é que chegava mantimentos, tudo, e a gente não via nenhuma pessoa ali. Dias atrás, a gente tem acompanhado a movimentação de homens na casa, que não poderia ter homens lá”, denuncia. A equipe do Tribuna da Massa esteve no local e encontrou o espaço organizado, com sala, cozinha e vários quartos.

Tierri Angeluci, gerente de Política Municipal de Assistência Social, explica como o local funciona. “Nós temos uma equipe fixa que já está pré-estabelecida para os atendimentos. Em qualquer hora do dia ou da noite, se surgir algum caso, nossa equipe é deslocada para cá para fazer todos os atendimentos necessários”, esclarece.

A casa tem quatro quartos e capacidade é para quatro mulheres, mas o espaço possui várias camas porque muitas das atendidas no local levam os filhos. No dia que a equipe do Tribuna esteve no local, a casa estava vazia e fechada porque só funciona quando uma mulher é encaminhada até lá por meio de uma medida protetiva.

“São situações muito pontuais, onde a vítima não tem aonde ficar, não há laços com família ou quando há casos de violência extrema. Nessas situações há a necessidade de abrigamento, muitas vezes a própria vítima solicita esse serviço”, comenta a delegada da Mulher em Ponta Grossa, Claudia Krüger. Angeluci completa que “a pessoa que passa e acha que a casa está fechada, ela realmente está fechada quando não tem acolhimentos”. Até mesmo visitas são proibidas para garantir a integridade das mulheres atendidas.

Recentemente, um caso envolvendo a Casa Corina Portugal chamou a atenção de vizinhos. Uma mulher teria deixado de receber atendimento no local, mas Angeluci explica que a vítima preferiu não ficar abrigada no local “Ela não tinha consciência de como funcionava a casa, essas regras, que são geralmente para protege-las. Depois que nós repassamos todas essas questões, que ela não poderia sair, não poderia ir trabalhar, ela achou melhor não ser acolhida porque tinha a casa da mãe para ir”, completa.

Colaboração Priscila Koteski, da Rede Massa.