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Adolescente revela detalhes da morte de cabo da PM

Em entrevista à Rede Massa, a adolescente de 15 anos que foi apreendida na tarde de ontem (17) revela detalhes da noite em que foram mortos o policial militar José Osni Pigatto, e sua namorada, Luci de Fátima Bulek. A jovem é suspeita de fazer parte de uma quadrilha que cometeu uma série de assaltos em Ponta Grossa, em que as vítimas eram amarradas e levadas até regiões afastadas da cidade e os bandidos fugiam com os carros para o Paraguai.

A jovem explica que o casal foi rendido perto da casa do PM, no Jardim Carvalho. Um bandido assumiu a direção da caminhonete de Luci enquanto outro grupo seguia em um carro atrás. Pigatto revelou aos criminosos que era um policial aposentado e foi amarrado. Ele ainda conseguiu se soltar e tentou fugir, mas desistiu ao perceber que sua namorada ainda estava em poder dos criminosos. A adolescente revela que o cabo foi amarrado novamente e executado com um tiro na cabeça logo em seguida.

A mulher também foi morta pouco tempo depois com dois tiros na cabeça. A menina lembra que William Cristiano Correa de Almeida, de 24 anos, queria estuprar Luci, mas não cometeu o crime porque não tinha um preservativo em mãos e ficou com receio de que o material deixado na mulher ajudasse a polícia a identificá-lo. Luci ainda disse para o grupo que estava grávida e, por isso, levou uma facada na barriga e foi agredida pelos criminosos.

Logo após o crime, a caminhonete dela foi levada por um dos suspeitos de integrar a quadrilha até o Paraguai.

Taxista

A adolescente ainda conta que o grupo foi o responsável pelo assalto a um taxista no início deste mês. A vítima foi levada até a região do Alagados, foi espancada e esfaqueada e abandonada no local. A menina revela que o grupo pensou que o taxista estava morto depois de receber os golpes, e por isso o abandonou no local. Ele resistiu aos ferimentos e conseguiu pedir socorro. O carro dele também foi levado para o Paraguai, mas não foi vendido porque quebrou no meio do caminho.

O motorista

Também em entrevista à Rede Massa, Julio Cesar Pereira da Silva Santos, 34 anos, confessou fazer parte da quadrilha e explicou que apenas levava os veículos para o Paraguai e ajudava na fuga dos comparsas. Depois que os bandidos roubavam os veículos, os próprios ladrões negociavam a venda no Paraguai e Santos ficava responsável por levar os carros e fazer o acerto. A caminhonete de Luci, por exemplo, foi negociada por R$ 8 mil. Ele confessou ter vendido três carros e só não conseguiu vender a Duster do taxista porque o veículo quebrou no meio do caminho.

A ação da quadrilha

Policiais militares do Serviço Reservado de Ponta Grossa já investigavam a ação da quadrilha depois de uma série de assaltos em que as vítimas eram amarradas e levadas até regiões afastadas da cidade. Os veículos roubados eram comercializados no Paraguai. Os integrantes da quadrilha tiveram sua participação confirmada em pelo menos seis assaltos registrados no município ao longo dos últimos dias.

As duas últimas ações da quadrilha ocorreram na terça-feira (15), no assalto que resultou na morte de Luci e Pigatto. A investigação levou a PM até um endereço na Vila Vicentina, no bairro de Uvaranas, onde na manhã de quinta-feira (17) foi preso o primeiro suspeito de integrar a quadrilha. Santos, o motorista do grupo, foi abordado no momento em que chegava em casa vindo de Guaíra, onde havia negociado a Frontier roubada do casal encontrado morto.

Os confrontos

Durante as buscas dentro da casa, que resultaram na apreensão de parte do dinheiro da venda do veículo roubado, pouco mais de 4 mil reais, outros três suspeitos chegaram ao local – a adolescente de 15 anos, e dois rapazes de 18 anos, ambos armados de revólver. Houve troca de tiros e os dois rapazes morreram na hora – Mateus de Jesus Gomes e Edilson Roberto Chauchuty.

No local do confronto, os policiais receberam informações que levaram até outra residência, no Residencial Costa Rica II. Mais um suspeito de integrar a quadrilha foi encontrado e, após novo confronto, segundo a PM, William Cristiano Correa de Almeida também foi morto. Ele já tinha um mandado de prisão por casos de homicídio e furto.

Ainda nas buscas durante a quinta-feira, um terceiro imóvel foi revistado pela PM no Jardim Panamá. Andrew Luiz Maceno Fermiano, de 18 anos. Com ele os policiais apreenderam outro revólver usado nos assaltos, além de 11 buchas de maconha e uma balança de precisão.

Ao todo, a operação resultou na detenção de quatro pessoas, e na apreensão de quatro armas de fogo, tudo encaminhado à delegacia.