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Alerta: Prefeitura não tem controle de todos os mutirões que acontecem na cidade

(Foto: Cesar Brustolin/ SMCS) - Alerta: Prefeitura não tem controle de todos os mutirões que acontecem na cidade
(Foto: Cesar Brustolin/ SMCS)

A luta contra o Aedes Aegypti tem mobilizado milhões de pessoas em todo o Brasil. Para evitar que o mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus Zika se reproduza, mutirões dos mais variados setores da sociedade vêm sendo organizados. São grupos de pessoas que se reúnem para vistoriar residências e terrenos, em busca de possíveis focos do mosquito.

No entanto, por trás de tanta boa vontade, podem existir aqueles que tentem se aproveitar dessa mobilização que tem tomado o Brasil. Um vídeo, que circulou nas redes sociais há algumas semanas, mostra um grupo de criminosos que se fantasiou com roupas militares para entrar e assaltar uma casa em plena luz do dia em Joinville, Santa Catarina. A justificativa? O suposto combate à dengue.

A desconfiança acaba sendo inevitável. As pessoas têm receio de deixar um desconhecido, mesmo que identificado, adentrar em suas casas. 

Segundo dados da Prefeitura de Curitiba, as equipes têm encontrado algumas dificuldades. Pelo menos 1.910 dos 121.133 imóveis visitados até o dia 25 de fevereiro tinham recusado abrir os portões. O número pode representar pouco em relação ao total, mas mostra que o receio existe.

A agente de endemias Maria Angélica Gonçalves diz que já passou por essa situação e afirmou que teve de recorrer aos superiores para conseguir realizar a vistoria. “Pedi que a pessoa ligasse para a SAU (Saneamento Ambiental Urbano), ela fez isso e em seguida liberou a minha entrada”.

(Foto: Cesar Brustolin/ SMCS)

Além das forças públicas, os mutirões são realizados também por iniciativas de empresas e sindicatos, como é o caso do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, que participou de uma campanha movida pela Força Sindical do Paraná, com o nome “Sai pra lá mosquitão”.

De acordo com o sindicato, a organização foi realizada pelos próprios diretores, que foram até as fábricas convidar os trabalhadores para participar da campanha. Os voluntários se dividiram em grupos, de acordo com a região em que vivem. Eles, então, batiam de casa em casa, fazendo os alertas a respeito do risco da dengue.

A ação já foi realizada na Cidade Industrial e no bairro Sitio Cercado, em Curitiba; e em São José dos Pinhais, Pinhais e Paranaguá, na Região Metropolitana. A intenção do sindicato é realizar a campanha também em Fazenda Rio Grande e no município de Araucária.  Segundo o órgão, o saldo é positivo. 

“Não tivemos recusas. Os estabelecimentos que visitamos, inclusive, até nos chamavam para fazer a verificação”, afirmou em nota ao Massa News o SMC.

Como resultado, os voluntários encontraram vários possíveis focos do mosquito Aedes Aegypti. Algumas situações, inclusive, eram alarmantes. “Encontramos uma grande piscina abandonada em São José dos Pinhais e formalizamos uma denúncia ao Ministério Público do Paraná. Já os focos menores, informamos para as respectivas prefeituras”.

A ação do Sindicato não tem qualquer vínculo com algum órgão público. Quem participa é ligado ao sindicato, que é responsável pela identificação e a ação dos voluntários. A Prefeitura de Curitiba, por exemplo, informou que apenas organiza os eventos vinculados ao órgão. Ou seja, nada impede que qualquer pessoa use a ideia dos mutirões com o objetivo de cometer algum ato criminoso, como aconteceu em Santa Catarina.

Por conta disso, a Prefeitura de Curitiba elaborou algumas medidas para evitar que as pessoas caiam em armadilhas. Uma delas é verificar todos os dados do suposto agente municipal. “As pessoas podem ligar para a Defesa Civil no número 41 3350-3689 ou para a Guarda Municipal, no 153, para verificar os dados do agente”, destaca João Batista dos Santos, coordenador técnico da Defesa Civil.

João está coordenando neste momento um projeto de voluntariado que pretende cadastrar 15 mil pessoas para atuar no combate à dengue em Curitiba. A ideia, segundo o coordenador da Defesa Civil, é dar ainda mais confiança para as pessoas deixarem que suas casas sejam vistoriadas. 

“Queremos que cada voluntário cuide da própria quadra, pois assim, ele vai visitar pessoas conhecidas e, com isso, vai diminuir um pouco a desconfiança. Além disso, todos vão estar devidamente uniformizados e cadastrados no banco de dados da GM e da Defesa”.

Até o último dia 3 de março, a prefeitura tinha recebido apenas 136 inscrições. Os voluntários participaram de um curso semana passada, na Rua da Cidadania Matriz. Os inscritos ainda serão avaliados pela Defesa Civil para então começarem as atividades, que devem durar até o mês de junho.

Além do programa de voluntariado, a Prefeitura também divulgou uma nota para facilitar à população a identificação dos funcionários responsáveis pela vistoria. 

“Os agentes comunitários de saúde usam colete azul com a inscrição PACS nas costas, além do crachá”.

Ainda segundo o texto, os profissionais são conhecidos da comunidade.

Já as equipes do Saneamento Ambiental Urbano podem ser identificadas pelas camisetas de manga longa, com o nome da empresa estampado, boné personalizado, calça comprida azul e crachá. Em ambos os casos, se houver alguma dúvida, é possível ligar para o 153 e confirmar a identificação do agente.

Por fim, se não for possível confirmar a identificação da pessoa que quer entrar na sua casa para vistoriar possíveis focos do Aedes, o ideal parece seguir a orientação do coordenador da Defesa Civil de Curitiba, João Batista dos Santos: “se não houver algum meio de confirmar a identificação daquela pessoa, o correto é não deixa-la entrar”.