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Apenas 23% dos casos de estupro conseguem ser comprovados

Crianças e adolescentes são as maiores vítimas da violência sexual, apontou estudo. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens) - Apenas 23% dos casos de estupro conseguem ser comprovados
Crianças e adolescentes são as maiores vítimas da violência sexual, apontou estudo. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Estudo realizado pela ONG MaisMarias aponta que apenas 23% dos casos de estupro cometidos em Curitiba foram comprovados materialmente. Na avaliação da presidente da entidade, a médica ginecologista e legista do Instituto Médico Legal (IML) da capital Maria Letícia Fagundes, o desafio é conseguir as provas necessárias em boas condições de análise para punir o agressor.

“Essa quantidade de resultados positivos é baixa porque o sistema é falho em provar casos de abuso sexual, e não porque não houve abuso. A porcentagem real é outra, na maioria dos casos houve o abuso, mas não temos hoje armazenagem e treinamento adequado nos hospitais e delegacias que fazem o primeiro atendimento”, argumenta a médica.

De acordo com ela, muitos elementos determinantes se perdem durante os atendimentos. “A problemática que tenho levantado e, inclusive, palestrando em hospitais sobre, é a questão de produção correta de provas, isto é, coleta e transporte adequados dos materiais colhidos na hora dos exames feitos nos hospitais. Muitas vezes a qualidade se perde neste procedimento e falhamos em punir o agressor, levando essa criança de volta ao risco”, completa Maria Letícia.

Outra situação que dificulta um número maior de exames positivos é que grande parte das vítimas é de crianças, e até o familiar identificar o que houve, já passou mais das 48 horas necessárias para produção das provas. “Temos que ouvir mais as crianças e trazer de imediato para exames. Melhor errar pelo excesso do que perder de punir o agressor”, defende a especialista.

Números

Adolescentes de 12 a 17 anos de idade e crianças de 5 a 11 anos sãos as maiores vítimas de violência sexual entre os casos registrados no IML de Curitiba, entre 2012 e 2015. No período, foram realizados 4.734 exames realizados para casos de conjunção carnal (3.264 em vítimas com idades entre cinco e 17 anos).

Colaboração assessoria de imprensa