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Apesar de ação civil pública, cadeia de Guarapuava segue superlotada

(Foto: Divulgação / Rede Massa) - Apesar de ação civil pública, cadeia de Guarapuava segue superlotada
(Foto: Divulgação / Rede Massa)

Três fugas em apenas um mês. Essa é a situação da cadeia pública de Guarapuava que, na última fuga, viu 11 presos escaparem por um túnel que eles cavaram. Os policiais só perceberam horas depois que os presos tinham fugido e, até agora, nenhum deles foi recapturado.

Os onze presos que fugiram estavam em um espaço chamado de ‘Seguro’. Neste local, ficam os suspeitos de estupro e outros detentos que correm riscos dentro da cadeia. Eles usaram um pedaço de concreto do próprio piso da cela para cavar o túnel de aproximadamente cinco metros. Funcionários acreditam que os presos levaram pelo menos 20 dias para concluir o buraco, que sai na rua lateral do presidio.

“O maior problema hoje é justamente esse excesso de presos, houve uma pequena redução depois da ação civil pública, mas boa parte dessa redução foi até em função dessas fugas”, diz o delegado.

O motivo para tantas fugas, segundo a Polícia Civil, é a superlotação da cadeia, que tem capacidade para 166 presos, mas abriga cerca de 400 detentos. “O maior problema hoje é justamente esse excesso de presos, houve uma pequena redução depois da ação civil pública, mas boa parte dessa redução foi até em função dessas fugas”, explica o delegado-chefe da 14ª Subdivisão Policial (14ª SDP), Rubens Miranda Jnunior.

No final de fevereiro, a carceragem foi interditada e uma determinação judicial obriga a transferência de cerca de 250 presos. Porém, até agora, apenas 37 detentos foram removidos. “As transferências que nós tivemos, que foram mínimas, foram graças ao desempenho e à boa vontade do judiciário de Guarapuava, da Vara de Execuções Penais, que conseguiu algumas transferências para a região”, comenta o presidente do Conselho de Segurança de Guarapuava, Carlos Sergio Annes.

“Dois ou três agentes trabalham desarmados, isso aí gera insegurança porque o preso que está ali dentro sabe da situação, sabe da fragilidade", alerta Rubens Miranda Junior.

Outro problema é a falta de estrutura do prédio que abriga a cadeia, uma estrutura antiga e que precisa de reformas. Existe ainda o problema da falta de segurança para a população que mora no entorno da delegacia e, principalmente, para os agentes que trabalham na unidade.,

“Dois ou três agentes trabalham desarmados, isso aí gera insegurança porque o preso que está ali dentro sabe da situação, sabe da fragilidade. A questão do bate-grade já é um problema antigo de Guarapuava e não é culpa da Polícia Civil, não é culpa do Depen [Departamento de Execuções Penais] e nem da Polícia Militar”, esclarece o delegado-chefe.

“Com esse contingente, não tem como você ter a cautela devida, seja em termo de revista, de busca, de remanejamento, de isolamento desses presos, de modo que a cadeia fica frágil”, completa Annes.

Colaboração Ângelo Neto, da Rede Massa.