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Onde estão os bafômetros de Curitiba?

(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal) - Onde estão os bafômetros de Curitiba?
(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Um acidente de trânsito, duas pessoas feridas, muito prejuízo, e a falta do equipamento de bafômetro. É este o resumo do problema que o Felix Carlos Calderaro vem enfrentando desde a madrugada de 28 de fevereiro, quando foi envolvido em um acidente de trânsito. O veículo que ele seguia com a namorada, um Peugeot 307 pela Rua Nicolau Maeder quando no cruzamento com a Rua Augusto Severo, foi atingido por um veículo Montana que não respeitou a preferencial.

Veja o vídeo do acidente:

Ele contou que o acidente foi registrado por volta de 5h50, após a batida, o carro dele ainda capotou. “Nós sofremos vários ferimentos, cortes, bati a cabeça tive amnésia, fiquei com um problema no ombro que terei que fazer uma cirurgia. Minha namorada cortou muito as pernas, foi bem tenso”, descreveu.

Conforme Calderaro, o condutor do outro veículo “apresentava sinais de embriaguez”. “Um taxista e o passageiro que seguiam logo atrás, foram as primeiras pessoas a prestarem socorro, eles também testemunharam a situação. Viram latas de cerveja dentro do carro e conversaram com o outro condutor, ele parecia estar bêbado”.

Diante da situação, já pensando em se precaver quanto ao ressarcimento dos prejuízos, uma vez que não tinha seguro do carro, e o outro condutor também não, Calderaro solicitou a Polícia Militar, que registrava o boletim de ocorrência, a realização do teste de bafômetro. 

“A resposta que recebi foi de que eles não tinham o equipamento”, diz. “Então pedi se não podiam ligar para outra equipa policial que tivesse o equipamento para fazermos o teste, mas a polícia disse que não tinha possibilidade porque todos os equipamentos estariam em manutenção”, afirma.

Sem se conformar com a situação, o condutor tentou buscar junto à polícia uma alternativa, mas não teve saída, e ficou sem o exame. “O policial me disse que poderia pedir emprestado o equipamento da Polícia Rodoviária Federal, mas que o tempo médio de espera seria de seis horas”, diz. “Imagina, nós estávamos feridos, precisando de atendimento médico e ainda teríamos que esperar seis horas para conseguir fazer o exame. Não tinha possibilidade”, comenta.

Calderaro relatou que nenhuma outra possibilidade foi apresentada, e que o exame não foi feito. “Na hora, estava ferido, precisando de socorro e não pensei em pedir para sermos encaminhados ao IML para fazer lá um exame”, discorre. “E, eu e minha namorada nos ferimos, mas o outro condutor não sofreu nenhum arranhão, nem pelo Siate ele foi atendido”.

Agora, para ele restaram a burocracia e o prejuízo. “Me sinto lesado pelo Estado e pela Polícia Militar. Se o teste de bafômetro tivesse sido feito e a condição do outro condutor tivesse comprovada, eu não precisaria entrar com uma ação contra ele para receber o valor que ele me deve”, diz. “Ele está alegando que não tem como pagar, mas nas imagens das câmeras de segurança é possível ver claramente ele invadindo a preferencial e me atingindo em cheio. Mas ainda assim, terei que apelar para a Justiça em um demorado processo”.

Polícia Militar

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, que afirmou que “por uma questão de segurança, não pode revelar quantos equipamentos de bafômetro têm a Polícia Militar para uso em Curitiba”. “É uma questão de segurança, nem equipamentos, nem efetivo, não podemos”, disse.

Ela explicou, porém, que “existem equipamentos suficientes para atender a população, e que a aferição que é necessária, é programada de forma que parte dos equipamentos fiquem disponíveis para serem usados”. “Não ficamos desassistidos” afirma. “Mas, volto a afirmar, temos equipamentos suficientes”.

Sobre o caso específico da reclamação do Calderaro, a assessoria disse que “precisa avaliar o caso, e que está levantando as informações para poder se pronunciar sobre o ocorrido”.