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Após outro caso de corpo deixado em UPA, IML relata superlotação

(Foto: Reprodução/Google Street View) - Após outro caso de corpo deixado em UPA, IML relata superlotação
(Foto: Reprodução/Google Street View)

Há quase dez dias, a história de Ilda Gonçalves foi publicada aqui no Massa News. O corpo da mulher, que morreu na Unidade de Pronto Atendimento de Pinhais no último dia 12 de julho, permaneceu no local, em um ambiente inadequado, por quase uma semana. Ilda só foi enterrada na última sexta-feira (22), depois de um longo impasse jurídico.

Nesta quarta-feira (27), uma história similar veio à tona. O corpo de um morador de rua está na UPA do Alto Maracanã, em Colombo, há pelo menos três dias. A situação deve ser resolvida em breve, segunda prefeitura do município. No entanto, o fato trouxe à público um grave problema no Instituto Médico Legal de Curitiba: o local está superlotado.

Ao todo, 135 corpos aguardam sepultamento no IML. No caso do homem morto na UPA de Colombo, a prefeitura afirmou que quando acionou o Instituto, foi informada de que não havia vaga disponível no momento. Com isso, a administração municipal solicitou uma vaga na câmara fria do IML.

Como o paciente não portava documento de identificação e a família não possuía documentos necessários para emitir a certidão de óbito, foi necessária enviar as digitais do homem para o Instituto de Investigação do Paraná. Com isso, a documentação foi regularizada.

Em relação ao IML, o Instituto explicou que quando o corpo não é identificado ou reclamado pelos familiares, é necessário ingressar com um pedido na Justiça para a realização do enterro. “Autorizado pelo Poder Judiciário, o IML realiza exames complementares, como de DNA para futura identificação, e notifica a prefeitura de Curitiba para providenciar o sepultamento”, informou, em nota.

No entanto, esta última etapa tem sido problemática de acordo com o IML. “Em resposta aos reiterados ofícios encaminhados pelo IML solicitando os sepultamentos, a prefeitura respondeu que os enterros foram autorizados, mas que ‘para atendermos somente será necessário que esse Instituto (IML) nos auxilie com os equipamentos de escavação de porte pequeno e caminhão pipa’ – atribuições que não competem ao IML de Curitiba.”

A Prefeitura de Curitiba informou que recebeu os ofícios e que os sepultamentos foram autorizados, mas que o IML não apresentou os alvarás judiciais, o que impede os sepultamentos. Além disso, em relação ao pedido auxílio com os equipamentos, a administração municipal informou que a oferta de ajuda durante as obras no Cemitério do Zona Sul foi feita pelo próprio IML, em reunião com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. No entanto, segundo a Prefeitura, as obras já terminaram e o auxílio não será mais necessário.

Tanto o IML como a prefeitura de Curitiba confirmaram que foram disponibilizadas 60 vagas em cemitério da cidade e os corpos acumulados no Instituto devem ser enterrados nos próximos dias. O último enterro realizado pelo Serviço Funerário Municipal, segundo o IML, aconteceu no mês de maio, mas a prefeitura garantiu que “não há pendências para o sepultamento de pessoas não reclamadas.” Ainda segundo a Prefeitura, a responsabilidade do enterro de indigentes é do município onde a pessoa residia.

No caso do corpo do morador de rua que estava na UPA do Alto Maracanã, em Colombo, a situação parece que foi resolvida. A prefeitura do município conseguir acertar a documentação do homem. Com isso, corpo foi entregue à família dele, que será a responsável pelo sepultamento.