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Após tragédia, pais criam canil para continuar sonho da filha

Alessandra Machado cuida com carinho do altar da capela. Ela acende as velas em homenagem à família, para quem ela criou este espaço – um santuário cheio de memórias. “Eu queria um espaço para eles, e onde eu pudesse estar sempre na mesma sintonia que eles. Aqui eu tenho meu momento de alegria, meu momento de tristeza”, comenta.

Ela tenta se recuperar da tragédia que mudou para sempre sua vida. A mulher perdeu os pais, uma irmã, o sobrinho pequeno e a filha Gabriele, que estava para completar 12 anos, em um acidente de trânsito. O caso aconteceu na Avenida Presidente Kennedy, trecho urbano da BR-376, em Ponta Grossa. Um caminhão desgovernado atingiu em cheio o carro da família e ninguém sobreviveu.

Um ano e meio depois da tragédia, Alessandra lembra com detalhes como recebeu a notícia. “Foi uma ligação do meu marido, quando eu peguei o telefone, eu já vi minha tia subindo. Na minha cabeça, só veio a minha irmã”, relembra. Emocionada, ela conta que sua tia revelou as mortes dos pais, da irmã e do sobrinho, mas não falou de Gabriele. “Eu falei que a minha filha estava junto no carro e ela disse não, que só tinha quatro pessoas. Mas eu falei que minha filha estava no carro, ela falou ‘tchau mãe, te amo, fique com Deus’ porque ela ia posar na casa da avó”, completa.

A Gabriele tinha um sonho. Ela queria ser médica veterinária para cuidar dos animais, principalmente dos cães de rua. A mãe da menina decidiu levar este sonho adiante e construiu um canil em homenagem ao amor que a filha tinha pelos cachorros.

O canil tem 23 animais, alguns que eram da família e outros que foram resgatados. A Alessandra cuida com amor dos bichinhos, que retribuem o afeto. “Quando ela tinha dez anos ela me deu uma grande lição de vida”, lembra. “Ela estava passando a mão em um cachorro de rua e eu falei ‘filha, não passe a mão nos cachorros de rua, a gente não sabe se tem doença’, e ela respondeu ‘sabe mãe, eles não têm culpa de estar na rua, eles não têm casa, não tem para onde voltar, não sabem para onde ir, então a gente tem que cuidar, porque a culpa não é deles, é do ser humano’”, relata. “O sonho dela era cuidar, se ela pudesse, ela tirava todos os cachorros da rua e levava para casa”, completa.

O motorista do caminhão que causou o acidente, Rafael Conrado, está preso e aguarda julgamento. A família espera por justiça. “Eu sei que não vai trazer nenhum deles de volta, mas a gente espera que seja feita a justiça para que outras famílias não passem pelo que eu passei”, conclui.

Colaboração Priscila Koteski, da Rede Massa.