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Apresentação de monografia reúne pessoas nuas na UEL

(Foto: Facebook/Reprodução) - Apresentação de monografia reúne pessoas  nuas na UEL
(Foto: Facebook/Reprodução)

Quem passeou pelo campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na tarde de quinta-feira se deparou com uma cena diferente. Quarenta corpos, a maioria nus, perfilados em um gramado.

A cena lembrava a contagem de corpos no episódio conhecido como “Massacre do Carandiru”, em 1992, quando 111 presos foram mortos durante uma rebelião.

E a ideia era justamente essa. A iniciativa fez parte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Aguinaldo Moreira de Souza, que está se formando em Filosofia mas é doutor em Letras e leciona no curso de Artes Cênicas da universidade.

O trabalho de Aguinaldo discutia o conceito de ‘banalidade do mal’, com base na teoria da filósofa alemã Hannah Arendt, que vivenciou e pesquisou o povo judeu perseguido por Adolf Hitler.

“A gente cruzou as imagens de corpos mortos e mutilados no holocausto com imagens da tragédia no Carandiru, evento brasileiro que mais representa a banalidade do mal. Ambos foram praticados com autorização do estado. Representamos isto com nossos corpos como o de prisioneiros cobertos com cal”, explica o autor da pesquisa. 



(Foto: Reprodução/Facebook)


 Aguinaldo afirma que levou quatro anos para fazer o trabalho, que incluiu visitas a Auschwitz, maior campo de concentração criado pelos nazistas, e lamenta que algumas pessoas não tenham entendido o verdadeiro objetivo.

“A ideia era exibir corpos mortos para lembrar a sociedade que o massacre tira a dignidade da vida humana. Isso foi entendido pelas pessoas que estavam em volta e incompreendido por quem não aceitam a dignidade do corpo dos outros. Vivemos um momento em que mães são proibidas de amamentar em público ao mesmo tempo em que há aceitação maciça de um corpo sexuado com Photoshop para vender cerveja ou lingerie”, critica.

A performance no campus da UEL durou cerca de 25 minutos e viralizou nas redes sociais.

"Ninguém é obrigado a ver isso! Se eu quisesse ver essa nojeira, iria a um prostíbulo, não à universidade. Mais respeito, por favor", escreveu uma internauta em um grupo ligado à universidade no Facebook.

"Vamos a tirar a roupa mesmo. Nudes não é pornô, é arte. Se você não fosse tão burra, teria visto o real sentido da performance", respondeu outro.