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Colóquio discute empoderamento da mulher negra em Maringá

Professora Marivânia Araújo é uma das fundadoras do Neiab da UEM (Foto: Divulgação) - Colóquio discute empoderamento da mulher negra em Maringá
Professora Marivânia Araújo é uma das fundadoras do Neiab da UEM (Foto: Divulgação)

Empoderamento é uma palavra que dá e vem ganhando força, não só no ambiente acadêmico, mas no cotidiano, quando se fala em mulheres e na população negra. O Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (Neiab) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que completa uma década este ano, decidiu juntar dois públicos em voga no II Colóquio Feminismo Negro – Diálogos sobre o empoderamento da mulher negra.

Desde a segunda-feira, cerca de 200 pessoas participam das atividades culturais e mesas de debate. Nesta quinta-feira (28), por exemplo, a consulesa da França no Brasil, jornalista e fundadora da ong Negras Empoderadas, Alexandre Baldeh Loras, estará em Maringá para uma palestra.

A integrante do Neiab, professora Marivânia Conceição Araújo, avaliou que o evento está reunindo mais pessoas do que a expectativa. Por que? Para a pesquisadora, são duas discussões crescentes – a do feminismo e da população negra. “Uma hipótese seria que as mulheres estão se posicionando, estão buscando espaços, brigando pelos seus espaços. Nós mulheres sempre estivemos aí, mas historicamente sempre no segundo plano, pautadas por uma ideia, por uma politica machista, masculina. No caso da mulher negra isso chega a um nível exacerbado, tragicamente exagerado”, pontuou.

No colóquio, a professora percebe que o público vai além do universitário, trazendo mulheres que querem aprender e debater, para colocar em prática as novas reflexões.

Empoderamento é prática cotidiana

Marivânia Conceição Araújo destaca que o empoderamento passa pelo cotidiano, por isso, pode ser cansativo. “É se posicionar, chamar a atenção para a igualdade, para a necessidade de igualdade.” Ganhar poder e se colocar na sociedade é reconstruir práticas cotidianas da sociedade, que devem ser combatidas em detalhes, por isso, a força árdua necessária.

Para mostrar essa mudança necessária, o colóquio quis trazer pluralidade e diversas vozes aos debates, colocando exemplos práticos do dia dia, como da cantora Elza Soares. A artista não é acadêmica, mas é uma mulher negra, que foi pobre e fez rupturas importantes, posicionando-se na sociedade, com sua autenticidade.

“Uma das primeiras cantoras negras. Uma cantora negra, que vem de uma comunidade pobre e que fala sobre isso”, destaca Marivânia.

A internet como aliada da militância

Para a integrante do Neiab, as discussões sobre feminismo e negritude vêm ganhando vazão por conta da internet, que também tem ajudado na divulgação de eventos, como o colóquio que acontece esta semana em Maringá. Apesar de ser também espaço de grupos racistas e neonazistas, a rede virtual comporta a luta pela igualdade e é campo de batalha.

“É o Facebook, o Youtube. Duas das nossas convidadas, a Ana Paula Xongani e a Beatriz Caixeta, elas são figuras conhecidas na internet. Elas têm muitos seguidores no Facebook e no Youtube. Fazem parte do que cresce cada vez mais, as youtubers negras. E estão lá falando sobre coisas que as mulheres negras são excluídas das grandes mídias. Por exemplo, a maquiagem para mulher negra, produtos para cabelo para mulher negra, como pentear. Elas estão discutindo também o empoderamento, posicionamento, questões sobre direitos, como se posicionar, o que fazer quando for vítima de racismo, a solidão da mulher negra, enfim, muitos temas que são importantes e caros às mulheres negras e que a mídia não dá o devido papel ou, muitas vezes, trata de forma superficial. A revolução vai vir pela internet, de lá que as coisas vão acontecer, do mundo virtual para o mundo real”, opinou.

Segundo a professora, a questão estética da mulher negra tem ajudado no empoderamento. A questão de assumir o cabelo cacheado e crespo vem de uma decisão de independência e resistência, defende Marivânia. São mulheres que deixam de aceitar um padrão exigido pela sociedade – que é do cabelo liso, de pessoas brancas – e passa a ser símbolo de orgulho da raça.

Neiab

Aos dez anos de estudos afro-brasileiros, o Neiab cresce em quantidade de membros e em qualidade das pesquisas. Para a fundadora, o desafio dos próximos anos é colocar o núcleo cada vez em mais diálogo com a comunidade, a universidade e o poder público, destacando assuntos importantes não só para a comunidade negra, mas para toda a população, como o fato de que, por dia, 83 jovens negros são assassinados no país.

“Para o futuro, a perspectiva é crescer mais”, defendeu.

Serviço

Quinta-feira (28/07)

19h30

Palestra com consulesa da França no Brasil. Alexandra Baldeh Loras.


Sexta-feira (29/07)

19h30

Exibição do documentário sobre Elza Soares “O gingado da Nega”, seguido de debate com Laís Filho, graduada em Geografia e membro do coletivo Yalodé Badá. Mediadora: professora Salete Gil Azevedo.


Local: Bloco I12 da Universidade Estadual de Maringá