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Conselho Tutelar denuncia maus tratos e tortura contra crianças

(Foto: Divulgação / Rede Massa) - Conselho Tutelar denuncia maus tratos e tortura contra crianças
(Foto: Divulgação / Rede Massa)

Um caso chocante de maus tratos contra duas crianças – uma delas com transtornos mentais – veio a público na tarde desta quarta-feira (11) em entrevista coletiva da conselheira tutelar Michelly Marcowzc, em Ponta Grossa. As vítimas, um menino de oito anos e uma menina de nove anos, foram adotados por um casal e passaram a sofrer inúmeras agressões.

A menina, segundo o Conselho Tutelar, não fala e nem anda, mas não há detalhes de qual tipo de deficiência ela sofre. Os casos de agressão começaram ainda em 2014, quando o menino teve a orelha cortada com um alicate de unha. Também houve registrou de agressões no ano passado e novamente em 2016. Em uma das situações, o garoto teve o cabelo queimado. Na agressão mais recente, o menino apanhou com uma tábua.

Nesta terça-feira (10), depois de três dias sem ir à escola, o menino voltou para a aula, mas não conseguia sentar. A professora percebeu o que estava acontecendo e viu grandes hematomas na perna e nas nádegas da criança. O próprio menino revelou à professora que foi agredido pelos pais.

Os responsáveis pela instituição de ensino acionaram o Conselho, que acolheu o menino e foi até a residência da família. Lá, os conselheiros encontraram a irmã do garoto em estado de negligência – sem os devidos cuidados e com a fralda suja. Por isso, a menina também foi retirada da casa como medida protetiva.

Ainda segundo Michelly, o pai admitiu a agressão e alegou que tomou a atitude para corrigir o menino, para que ele não virasse um drogado no futuro. De acordo com a conselheira, os pais não aparentaram nenhum incômodo com a retirada do garoto, mas teriam “feito uma cena” quando foram informados de que a outra filha adotiva também sairia de casa.

Nesta quarta-feira (11), o garoto prestou depoimento Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) e confirmou que tanto ele quanto a irmã sofriam agressões, mas que ele sempre recebia os golpes mais duros.

Agora, eles foram encaminhados para abrigos na cidade, mas estão separados porque a menina precisa ficar em um local que atenda às necessidades dela. Os conselheiros garantem que o garoto sente saudades e demonstra estar muito preocupado com a irmã.

A situação agora corre na esfera criminal com o Nucria e na esfera jurídica com a Vara da Infância e da Juventude. As identidades, endereços e outras informações que poderiam revelar quem são as vítimas ou autores foram omitidas para preservar a integridade das crianças.

Colaboração Felipe Gustavo, da Rede Massa.