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Corregedoria vai investigar maus tratos em partos na Maternidade

(foto: N.Com) - Corregedoria vai investigar maus tratos em partos na Maternidade
(foto: N.Com)

A corregedoria da Prefeitura de Londrina investiga 11 casos de maus tratos a mulheres que ganharam os filhos da Maternidade Municipal Lucila Ballalai. Segundo o secretário de Saúde, Gilberto Martin, parte do corpo clínico da unidade estaria desrespeitando o que preconiza o parto humanizado, respeito à fisiologia da mulher durante o nascimento dos bebês.

Um dos casos ganhou as redes sociais nesta semana. Uma mãe publicou um desabafo no Facebook sobre a violência obstétrica sofrida na maternidade.

Ela relata que chegou à maternidade na madrugada com muita dor e dizendo já estar em trabalho de parto, mas não teria recebido a atenção devida por parte dos funcionários desde a entrada no local.

“Fui levada para ser avaliada pelo médico. Ele fez o exame de toque e disse que eu já estava com 9 centímetros de dilatação e mandou me levarem para a sala de parto. Lá encontrei a enfermeira que fez a apresentação da maternidade no dia da visita dias antes e o enfermeiro. Ele conseguiu estourar minhas veias por 3 vezes e queria fazer o procedimento na hora da contração. Outra enfermeira apareceu, esperou o intervalo entre as contrações e achou uma veia sem me machucar”, conta a mãe.

Apesar de ter solicitado anestesia diversas vezes, a gestante foi informada que a maternidade só dispõe de anestesista para casos de emergência. Ela ainda relata que o enfermeiro que a atendeu quando chegou reapareceu fedendo a cigarro. “Aquela presença me incomodou muito”.

Depois do médico aplicar ocitocina e acelerar o processo, ela deu à luz Samuel.

“Quando nasceu, foi colocado sobre a minha barriga e meu marido, Ricardo, limpou o rostinho dele. Enquanto esperávamos o cordão parar de pulsar para poder cortar, ele veio para o meu peito e começou a mamar imediatamente. Foi o momento mais emocionante da minha vida”, relata.

Na sequência, o enfermeiro tirou o bebê do peito da mãe, sem dar o espaço e tempo para reconhecimento entre os dois que o parto humanizado orienta.

“O pediatra começou os procedimentos de rotina sem nos informar o que estava fazendo. Deitada, machucada, exposta e frágil, comecei a protestar. Ele estava aspirando o bebê sem o nosso consentimento. O Ricardo foi até lá reclamar e diante da reclamação o pediatra respondeu rispidamente: ‘eu estudei Medicina, rapaz! Isso é procedimento! Se vocês sabem de tudo, por que não tiveram em casa?”, teria dito.

 A mãe contou ainda que ouviu grosserias de uma enfermeira enquanto passava da cama para a maca e teria desmaiado no quarto por três vezes antes de ser atendida.

 Na primeira noite na maternidade, ela disse ter sido forçada por uma enfermeira a amamentar sem ter visto que havia dado leite ao bebê pouco antes. “Ela fez tudo isso depois de tratar o Ricardo (pai) muito mal e expulsado da maternidade porque tinha passado do horário e ele foi pedir minha medicação que esqueceram de levar”.

Ao final do texto publicado no Facebook, a mãe relatou que o episódio enfrentado por ela na maternidade ajuda a compreender porque algumas mulheres têm medo do parto normal. “Não é a dor, é a violência nesse momento tão importante e delicado que machuca física e psicologicamente”.

Apuração

O secretário Gilberto Martin demonstrou preocupação com o caso e prometeu rigor na apuração. “Vamos recolher os prontuários, ouvir os profissionais para saber o que aconteceu. A gente determina o respeito e acolhimento do paciente sempre com humanização. O servidor não pode esquecer que são as pessoas que pagam nossos salários. Tem que pensar sempre, em primeiro lugar: ‘será que eu gostaria de ser atendido assim?. Os casos vão para a corregedoria e teremos uma resposta, sempre pautado pela justiça”, finalizou.

 (colaborou Sérgio Ribeiro/Rede Massa)