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CURITIBA ABANDONADA: curso está parado há meses e alunos do curso de cabeleireiro estão cansados das promessas

(Foto: Divulgação) - CURITIBA ABANDONADA: alunos estão cansados de promessas da Prefeitura
(Foto: Divulgação)

No ano passado, Elisangela Silva de Sousa resolveu começar um curso de cabeleireiro pelo Liceu de Ofícios do Bairro Novo, em Curitiba. A intenção da futura cabeleireira era se especializar para poder seguir uma profissão e garantir uma renda extra para a família.

No entanto, o que ela pensou que demoraria, no máximo, seis meses, se tornou uma espera interminável. O primeiro módulo, de escova e penteado, não teve problemas. As aulas começaram em novembro e terminaram em dezembro. A primeira etapa estava concluída.

Para o segundo e o terceiro módulo, Elisangela precisou comprar os materiais que seriam utilizados nas aulas. “Gastei mais ou menos R$2 mil para conseguir comprar tudo o que eles pediam. Eu estava me esforçando para fazer tudo certinho, na esperança de conseguir uma profissão”, explicou.

A aula de corte, essencial para o exercício do ofício, estava prevista para começar em fevereiro, logo depois das férias. No entanto, ficou apenas na previsão. “Passou fevereiro e ninguém ligou. Todo mundo foi atrás e falaram que em 30 dias a situação estaria resolvida.”

Os meses se passaram e o curso continuou estagnado, sem nenhuma previsão concreta que fosse retomado. Porém, as dívidas que Elisangela e outras colegas contraíram para comprar os materiais não tiveram nenhum atrasado.

“Muitas, assim como eu, compraram os materiais com a esperança de terminar o curso, conseguir um emprego e assim, pagar a dívida. No entanto, não podemos trabalhar, pois não terminamos o curso e a dívida está correndo”, desabafou.

Cansados, eles começaram a pressionar a prefeitura, responsável pela administração do Liceu de Ofícios de Curitiba. “Falaram para a gente que houve um problema com a empresa e que estava se organizando para fazer uma nova licitação. Em julho, prometeram que o curso iria começar na primeira quinzena.”

O dia 15 chegou, mas as aulas não recomeçaram. A situação fez com que Elisangela tomasse uma atitude mais radical. “Eu e umas amigas pagamos um curso particular de corte e química, para podermos trabalhar na área. Mas a gente até tinha condições. O que me preocupa são as meninas mais simples, que estavam dependendo disso.”

Segundo ela, o impasse a deixou arrasada. “Eles jogaram um balde de água fria em nossos sonhos. Criaram uma grande expectativa e a destruíram. A gente fica desmotivado por causa dessa situação. Nós só queremos uma data, para terminar o curso.”

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que a empresa responsável pela aplicação do curso, que havia vencido a licitação em 2014, faliu e por isso o curso parou. No entanto, a administração municipal afirmou que não foi possível realizar uma nova licitação por causa da necessidade de uma “readequação orçamentária”.

A Prefeitura ainda afirmou que cerca de 80 alunos foram afetados e que vai tentar realizar uma “contratação emergencial” para que os cursos sejam finalizados. Porém, a administração municipal não apontou uma data concreta para que as aulas voltem ao normal.

Elisangela afirmou que não acredita mais nas promessas. Segundo ela, a esperança do curso recomeçar já é pequena. “Eles vivem falando que vão chamar, vão chamar, mas não chamam nunca. É um sentimento de revolta e indignação pelo descaso com a gente”, desabafou.