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CURITIBA ABANDONADA: moradores sofrem com escuridão, mas não encontram solução através do 156

Se não fosse pelas luzes dos carros, seria praticamente impossível identificar que o vídeo foi feito em uma das mais importantes vias públicas de Curitiba. No entanto, essa é a realidade diária de muitos motoristas que precisam passar por trechos da Linha Verde e da avenida Comendador Franco, a Avenida das Torres.

O químico Emerson Hara é um exemplo. Para ir e voltar do trabalho, ele precisa utilizar a Comendador Franco diariamente. De dia, não há problemas. A luz do sol se encarrega de iluminar a pista. O problema é à noite. “É muito perigoso. A gente acaba andando sem direção nenhuma e corre o risco de se envolver em algum acidente ou até atropelar um pedestre, porque não dá para ver nada”, relatou.

Hara explica que a o trecho mais problemático é o viaduto da Comendador Franco, que passa por cima da Linha Verde, no bairro Prado Velho. De acordo com ele, a situação, inclusive, é recorrente. “Sempre acontece algum problema com a iluminação na Avenida das Torres e na Linha Verde também. Por causa disso, já precisei utilizar o 156 para solicitar à prefeitura o conserto dos postes.”

Segundo o químico, em duas oportunidades que precisou do atendimento, teve duas resoluções diferentes. “Na primeira vez, eles me pediram um monte de informações adicionais e no fim, demoraram meses para arrumar. Já na segunda oportunidade, eles foram mais pontuais e conseguiram resolver o problema sem enrolação”, conta.

Há 20 dias, Emerson recorreu pela terceira vez ao 156. No entanto, a resposta que recebeu o irritou mais do que na primeira solicitação. “Eu informei a situação pelo formulário eletrônico. Preenchi diversas informações, inclusive o trecho onde está o maior problema. Porém, eles me responderam afirmando que eu precisava detalhar exatamente onde as luzes estavam apagadas e até o número dos postes.”

A resposta deixou Emerson indignado. “Basicamente, eles querem que eu faça o trabalho deles. Além disso, é perigoso andar pelo viaduto, tanto pelo risco de ser atropelado como pelo risco de ser assaltado, já que é uma região violenta. Estamos com esse problema há mais de três meses e até agora, eles não fizeram nada. É uma vergonha”, desabafou.

O químico ainda acredita que há uma explicação para as respostas que variam de solicitação para solicitação. “Depende da pessoa que te atende e do humor dela naquele momento. Se ela estiver de bem com a vida, vai atrás do problema e resolve. Se não, fica fazendo essas solicitações para não ter que ir atrás do problema”, afirmou.

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que “há um problema na fiação que está comprometendo a iluminação pública neste trecho da via”. Segundo o executivo municipal, o fato é de conhecimento da Secretaria Municipal de Obras e que o problema deve ser solucionado em um prazo de 15 dias, “pois não se trata apenas de uma simples troca de lâmpadas.”

Em relação ao 156, a administração municipal afirmou que “os formulários exigem, obrigatoriamente, apenas o número predial de referência do poste com defeito e a quantidade de lâmpadas que precisam ser trocadas.” Segundo a Prefeitura, a demais informações “vão dar maior precisão, agilizando o reparo. Porém, se o usuário não fornecer essa informação, a solicitação é encaminhada da mesma forma.”

Em relação à solicitação de Emerson, a prefeitura informou que o pedido está parado, aguardando as informações solicitadas ao químico, que deve ser enviada por e-mail ou informadas por telefone. Ele pode também se negar a passar os detalhes e a solicitação será encaminhada com as informações já existentes. Enquanto isso, Emerson vai precisar esperar e tomar muito cuidado quando for passar pela escuridão do viaduto da Avenida das Torres.

Linha Verde continua com o mesmo problema

Emerson Hara relatou também os problemas na iluminação em trechos da Linha Verde. Há um mês, a Rede Massa esteve no local e constatou a escuridão na via. De acordo com o químico, a situação ainda não foi resolvida. A prefeitura afirmou que a escuridão é causada por furtos constantes de cabos na região. Uma licitação já foi realizada e os trabalhos de manutenção devem começar assim que a empresa for homologada, no decorrer deste mês.

Está previsto também a troca de cabos de cobre pelos elétricos de liga de alumínio, que são de difícil reciclagem, para tentar diminuir o número de furtos na região. Além disso, vão ser instalados cabos em valas mais fundas, que serão envelopadas com concreto. No entanto, ainda não há uma previsão exata para o início das obras na região.

CURITIBA ABANDONADA: moradores no escuro não encontram solução no 156