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CURITIBA ABANDONADA: posto de saúde fica dois anos “às moscas”

Unidade de saúde ficou dois anos abandonada (Foto: Reprodução) - CURITIBA ABANDONADA: posto de saúde fica dois anos “às moscas”
Unidade de saúde ficou dois anos abandonada (Foto: Reprodução)

A Unidade de Saúde Campo Alegre, na Cidade Industrial de Curitiba, está de pé. Mas não atende a qualquer cidadão que necessita de atendimento médico. A obra do posto de saúde está abandonada há cerca de dois anos. Se estivesse funcionando, a unidade desafogaria outros postos da região e a população teria mais uma opção para o acompanhamento de saúde. Além de não estar finalizada, a obra da unidade de saúde se tornou um lugar para usuários de drogas e criminosos e a estrutura foi toda pichada.

A obra foi alvo de vistoria da Comissão de Saúde, Bem-estar Social e Esporte da Câmara Municipal de Curitiba no final de junho deste ano a partir de denúncias encaminhadas por moradores da região. Os integrantes do grupo conferiram a situação crítica em que a unidade se encontra.

No início de julho, a comissão formalizou o envio de um requerimento questionando a Prefeitura de Curitiba sobre a situação. O documento traz o pedido de informações para o prazo de conclusão e entrega da obra e as razões da paralisação, além das medidas estão sendo tomadas para a regularização do caso. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, o documento foi enviado à administração municipal, mas ainda não houve resposta.

Moradores da região - que preferiram não se identificar - contaram à reportagem do Massa News que, há cerca de 10 dias, uma equipe da prefeitura apareceu no local e atua em áreas como pintura e instalação elétrica.

A Prefeitura, por meio de assessoria de imprensa, informou que a construção da unidade foi retomada no dia 4 de julho. “A obra, que ficou parada com 69,40% de execução, deve ser concluída ainda neste ano. A partir de medidas compensatórias no valor de R$ 1,5 milhão, uma construtora com empreendimento no bairro Cascatinha concluirá a construção. A alternativa via medidas compensatórias descarta a necessidade de uma nova licitação”, traz a nota enviada ao Massa News.

(Foto: Divulgação / Prefeitura de Curitiba)(Foto: Divulgação / Prefeitura de Curitiba) 

De acordo com a prefeitura, o cronograma da obra foi comprometido por atrasos no fluxo de repasses do governo estadual ao longo da construção, “com algumas pendências que levaram até 23 meses para serem quitadas. Os constantes atrasos acarretaram no abandono do empreendimento pela empresa vencedora da licitação ainda em 2014”. A administração municipal informou que a população deve começar a ser atendida na unidade no início de 2017. “Até lá, um estudo deve ser realizado para dimensionar o número de usuários e a região de abrangência do novo serviço”, informa a prefeitura.

Ainda segundo o Executivo municipal, “depois de solucionada a retomada das obras da US Campo Alegre, o convênio para repasse de recursos do Governo do Estado foi renovado e tem validade até junho de 2017. O compromisso do governo estadual é muito importante para a continuidade dos trabalhos na US Jardim Aliança, no Boa Vista, cuja construtora perdeu o direito da obra em fevereiro de 2016”.

O governo do Paraná questiona o posicionamento da prefeitura de Curitiba. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), por meio de assessoria de imprensa, enviou uma nota sobre o caso: “A Secretaria de Estado da Saúde informa que não tem nenhum débito com o município de Curitiba referente à construção de unidades da saúde da família. Os pagamentos são feitos pelo Estado conforme a medição da obra. A unidade Campo Alegre está com 69% da obra e já recebeu três das seis parcelas previstas no convênio. A quarta parcela será paga quando a unidade estiver com 70% da obra concluída. E as próximas parcelas serão pagas conforme novas medições. Portanto, reafirmamos que no convênio das unidades de saúde da família não há débitos do Estado com a Prefeitura de Curitiba”.

Os moradores, que acompanham a retomada das obras, relataram que ficam revoltados porque a desconfiança de quem viu a obra inacabada por dois anos é de que as atividades foram retomadas por conta da proximidade do período eleitoral. Como mostrou o Massa News, a prefeitura entregou 267% a mais de obras em junho deste ano.