26°
Máx
19°
Min

CURITIBA ABANDONADA: visitantes lamentam que Prefeitura tenha 'esquecido' do Jardim Botânico

O Jardim Botânico de Curitiba está entre os pontos turísticos mais visitados na cidade. Dez entre dez turistas buscam o parque para visitação. Curitibanos que moram nas proximidades usam o local para lazer, para a prática de atividades físicas. Quem mora longe aproveita os fins de semana e feriados para se divertir e apreciar as belezas do local.

Na teoria, tudo é bonito e funciona perfeitamente, mas na prática, a realidade é bem diferente da imagem de cartão postal. Internautas entraram em contato com a redação do Portal Massa News para relatarem o que classificam como ‘descaso da administração’ para com o Jardim Botânico.

A ‘insegurança’ é um dos pontos apontados pelos internautas, que afirmam que as vezes sequer percebem a presença dos guardas municipais. Uma pessoa que usa o local diariamente para caminhadas, diz que geralmente, quando vê, são apenas dois guardas para cuidarem de todo o perímetro. “Não me sinto totalmente seguro. Na área do estacionamento estão, é preciso ter muito cuidado”, disse o rapaz que preferiu o anonimato.

O velódromo, é assim como a área de estacionamento, um dos locais de relatos de maior insegurança. “Recebi visitas do interior, três amigas e fomos até o Jardim Botânico de carro. Já no estacionamento ficamos receosas com uns homens pedindo para cuidarem do carro”, conta Maria Alice, que mora no Novo Mundo. “Estávamos em quatro mulheres e minhas amigas acharam o lugar maravilhoso, mas apenas de um lado, porque aquela parte do velódromo e a outra estrutura ‘largada’ lá estão muito feios”.

No ‘outro lado’, como diz Maria Alice, os frequentadores relatam que é comum a presença de sujeira, garrafas de bebidas e até mesmo moradores de rua dormindo. A estrutura ‘largada’, citada pela visitante, é o Espaço Frans Krajcberg, que leva o nome do artista plástico e que foi criado para abrigar as obras doadas por ele ao município. O espaço funcionou entre 2005 e 2010, quando o artista solicitou de volta todas as obras que havia doado a Fundação Cultural de Curitiba. Na época em que o impasse foi gerado, a informação era de que “o abandono do local, somada a má conservação, levou o artista a pedir as obras de volta”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de Frans Krajcberg para verificar o que o levou a tomar essa medida extrema, e em que pé está a situação, mas ele preferiu não se manifestar.

A assessoria da FCC, subordinada à Prefeitura, por sua vez, diz que “em 2010 o artista entrou com ação judicial pedindo a devolução das peças e que a Justiça teria negado a devolução”. A FCC não explica qual motivo levou o artista a pedir as obras de volta. Diante da negativa da Justiça, Krajcberg, então, teria pedido que as peças fossem enviadas para restauro, o que foi aceito pela Justiça. As obras foram para Nova Viçosa, no interior do Bahia, atual moradia do artista, e desde então, não voltaram. A FCC afirma, que o prazo para retorno era 2012 e que a ação judicial segue.

Nem as obras voltaram, e muito menos o Espaço foi aproveitado para outros fins. Pior do que isso, restou uma estrutura que era muito bacana, agora sem teto, suja. A FCC também afirma, que “a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já realizou a primeira limpeza e pintura no local, com isolamento e vedação de áreas que estavam com uso irregular e haviam sido vandalizadas, como banheiros, cozinha e auditório e que a secretaria aguarda o trâmite de uma licitação pública para realizar a pintura e a adequação do local em um ambiente de estar”.

Mas, mesmo com essa ‘pequena revitalização’, os visitantes mais atentos, dizem que “não pretendem voltar”. “É uma pena, um lugar que é considerado cartão postal, mas está muito feio esse ‘túnel’ sem nada aí no meio”.

Fato é, que a estrutura está sem utilidade e se deteriorando, pelo menos desde 2010, e pelo visto, deve continuar da mesma forma por um bom tempo, esperando que a licitação seja realizada.

Sobre a segurança, a Guarda Municipal diz que “no Jardim Botânico, trabalham dois guardas por turno; oito guardas no período de 24 horas. A ronda da Guarda Municipal abrange o velódromo também”.

Apesar disso, a assessoria admitiu que a parte do estacionamento, realmente é problemática. “Já tentamos coibir a presença dos flanelinhas ali, mas não conseguimos uma solução”.

CURITIBA ABANDONADA: nem o Jardim Botânico escapa