24°
Máx
17°
Min

Deflagrada pela PF de Maringá, Operação Celeno é a maior da história de repressão ao contrabando aéreo no Brasil

Operação Celeno é a maior da história de repressão ao contrabando aéreo no Brasil

A Polícia Federal apresentou na manhã desta quinta-feira (16) os resultados da Operação Celeno, considerada a maior de repressão ao contrabando e descaminho aéreos já realizada no Brasil. Cerca de 80 pessoas devem ser indiciadas pelos crimes após o cumprimento de 138 mandados no Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, sendo 28 de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 77 de busca e apreensão.

A investigação começou em 2013, tendo como alvo o Aeroporto Edu Chaves em Paranavaí, cujo volume de movimentação chamava a atenção. Com o monitoramento fotográfico, a Polícia Federal descobriu que diversas aeronaves que passavam pelo local já haviam sido apreendidas, tanto no Paraguai como no Brasil.

Na Operação Celeno, a PF desbaratou quatro organizações criminosas que utilizavam 12 aviões para trazer mercadorias de alto valor, como remédios e eletrônicos, do Paraguai. Em dias de boa iluminação e visibilidade até duas viagens por dia eram feitas por cada aeronave, com o carregamento de 600 quilos de produtos, avaliados em US$ 500 mil.

Em três anos de apuração, estima-se que as quadrilhas tenham movimentado R$ 9 bilhões.

Ousadia

O delegado Alexander Dias destacou a ousadia dos criminosos que, mesmo com as operações de monitoramento, mantinham o transporte de contrabando e descaminho pelo ar, inclusive durante a Copa do Mundo. Cada frete custava US$ 3 mil e apenas um dos grupos – o mais estruturado – tinha avião próprio.

Esse mesmo grupo mantinha depósitos em Ribeirão Preto e São Paulo, tirava notas falsas das mercadorias e fazia a revenda. Nesta quinta-feira, a operação tentou prender desde os líderes até pilotos, agenciadores e equipes de recepção em solo. Essas equipes se vangloriavam por descarregarem aviões em dois minutos.

Quatro aeronaves haviam sido apreendidas durante as investigações e mais sete foram nesta quinta-feira em Londrina, Orlândia, Ituverava e Barretos. As quadrilhas também tinham intenso monitoramento aéreo, até mesmo do avião presidencial. Os quatro grupos eram independentes, mas mantinham o aeroporto de Paranavaí como base operacional e a estrutura de segurança comum.

Esquema antigo

Entre os envolvidos está um paraguaio e a esposa, responsáveis pela logística de carregamento e despacho das mercadorias no Paraguai. O homem atuaria nesse trabalho desde 1987.

Um dos maiores contrabandistas do Brasil chegou a ser preso em 2007 e ainda assim se manteve na atividade, como liderança. Outro líder era um policial civil, baleado em 2011 durante uma operação da Polícia Rodoviária Federal, Aeronáutica e Receita Federal.

Revenda

A Polícia Federal agora vai esmiuçar como se dava o esquema de distribuição das mercadorias, que inclusive chegavam a grandes grupos de comércio do Brasil.