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Depois de três dias, estudante registra ocorrência e polícia faz retrato falado

O retrato falado do rapaz que supostamente teria abusado de uma jovem dentro de um ônibus do transporte coletivo está sendo divulgado pela Polícia Civil. O caso, que desde o primeiro momento, ou seja, desde a postagem da jovem nas redes sociais relatando o caso, juntamente com uma foto da saia que vestia, e que segundo ela, estaria suja de esperma, vem gerando polêmica, e mais ainda, gerando até mesmo dúvidas quanto a veracidade. O caso ‘viralizou’ imediatamente após a postagem da foto com um longo texto relatando o ocorrido, muitas pessoas questionaram e ainda questionam se é verdade ou não.

Fato é que na sexta-feira (8), a moça registrou a ocorrência na Delegacia da Mulher. De acordo com a delegada Sâmia Coser, da Delegacia da Mulher, o tempo para o registro depende da vítima. “O fato de ela ter demorado para registrar a ocorrência é um direito dela. A vítima pode esperar, e pode inclusive não querer registrar a situação, muitas não fazem por medo”, diz. “Agora, a demora dificulta e muito o trabalho policial, porque a polícia agora trabalha em cima de um retrato falado, é muito mais difícil localizar o suspeito”.

A delegada não soube dizer se a saia da moça, que supostamente continha material genético do suspeito foi recolhida e encaminhada para exames periciais, até porque o Estado do Paraná possui um banco genético de criminosos sexuais. “Não sei dizer, porque não estou cuidando diretamente do caso, mas acredito que seria inviável em uma situação dessa encaminhar para a perícia”, relata. “Primeiro porque a fila pericial para exames de crimes sexuais graves é longa, demorada, não sei se neste caso o material genético não se perderia. Realmente não sei a viabilidade de se recolher a saia para periciar”.

Ainda de acordo com a delegada, se por ventura, o rapaz chegar a ser identificado e levado até a Delegacia, a vítima deve ser chamada para fazer reconhecimento. De qualquer forma, o caso não foi tipificado como crime, e sim como contravenção penal, uma importunação ofensiva ao pudor, passível de multa e não de prisão.

Orientações

Sâmia alerta as mulheres, que o melhor caminho para evitar ser vítima de abusos, sobretudo nos coletivos, é pedir ajuda. “Imediatamente”, destaca a delegada. “Peça ajuda imediatamente, chame a atenção das pessoas ao redor, peça ajuda ao cobrador e ao motorista, mas na hora”, acrescenta.

Ela também destaca, que muitas vezes a vítima tem medo da reação do abusador, mas que existem várias possibilidades. “Se a pessoa pede ajuda ao motorista ou cobrador, eles podem acionar o Guarda Municipal ou mesmo a polícia. Já tivemos casos de o motorista levar a vítima até a delegacia”, relata. “Ou ainda, ficou com medo, desceu do ônibus, chama a polícia na hora”.

O caso

Na noite de 5 de abril, a estudante Graziela Oliveira, de 22 anos publicou em sua página no Facebook um texto relatando que teria sido abusada dentro do coletivo que percorria a linha Centenário/Campo Comprido. O relato considerado ‘poético’ do fato, foi o que acabou gerando dúvidas nas pessoas. No desabafo, ela fala do clima da cidade, de seu cansaço, seu desejo de chegar em casa e tirar as botas e também do abuso. Conforme o texto da estudante, ela somente teria percebido realmente a gravidade do fato, quando chegou em casa. “Guardei o celular na  bolsa e foi então que eu percebi que ele estava ali. Parado bem nas minhas  costas, aproveitando de cada curva para se esfregar em mim. Tentei dar um passo  pra frente mas ele acompanhou, continuando encostado. Tentei empurrá-lo com o  cotovelo, ir para outro lugar mas não tinha jeito. Ele continuou ali, se  esfregando e gemendo”.

A reportagem tentou contato com a jovem, no dia seguinte a postagem do caso, mas ela preferiu não se manifestar.