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Golpe do DPVAT teria feito ‘número assustador’ de vítimas, diz delegado do Gaeco

O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, afirmou que o golpe contra pessoas que teriam direito às indenizações do seguro DPVAT feito por uma empresa sediada em Londrina ocorre há pelo menos dez anos e teria atingido um número assustador de vítimas.

“Iniciamos a investigação com a comprovação de alguns casos. Diante da gravidade e vislumbrando a possibilidade de ter um número assustador de vítimas, ingressamos com algumas medidas não só para estancar a prática criminosa desenvolvida, já que a empresa tem reduzido sua estrutura, o que pode sugerir até uma fuga dos responsáveis” afirmou.

O bacharel em Direito Márcio Rodrigo Cantoni, que teve a prisão preventiva decretada, estaria nos Estados Unidos e ainda não foi detido. O advogado da Cantoni Revisões, Josafá Guimarães, afirmou que ainda não teve acesso aos documentos de acusação. “Acredito que tudo seja esclarecido. Precisamos apurar para ver se esses fatos realmente aconteceram”, resumiu.

O delegado Alan Flore afirmou que as investigações começaram a partir de denúncias de pessoas que teriam sido lesadas, depoimentos de ex-funcionários da empresa e acesso a documentos que comprovariam as irregularidades.

Segundo o promotor Jorge Barreto da Costa, o golpe era aplicado em duas frentes. A empresa Cantoni Revisões procurava clientes que teriam sido vítimas de acidentes e teriam direito ao DPVAT. Depois de conseguir uma procuração em nome da vítima, repassava a um escritório de advocacia para entrar com a ação. Quando a causa era ganha, o escritório repassava o valor para Cantoni, acusado de ficar com o dinheiro das vítimas.

No segundo caso, a Cantoni Revisões descobria o cadastro das vítimas, falsificava documentos e repetia o processo com o escritório de advocacia, descontando apenas os honorários e ficando com o benefício.

Uma das vítimas foi o operador de máquinas Rafael Júnior, que recebeu ligações quando ainda estava internado após sofrer um acidente de moto em novembro do ano passado. “Me ofereceram proposta bem bacana, apenas 10% da indenização para eles. Aí eu aceitei. Pedi reembolso dos remédios, das despesas médicas e não recebi. Isso já faz uns três, quatro meses”, relata.