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Grupo organiza protesto pela participação das doulas no momento do parto

(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil) - Grupo organiza protesto pela participação das doulas no momento do parto
(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

Um grupo de mulheres organiza para a manhã desta terça-feira (8), no Dia Internacional da Mulher, um protesto em frente à Câmara Municipal de Curitiba. O objetivo é pressionar os vereadores do município para que aprovem um projeto de lei que visa permitir a presença das doulas durante o momento do parto.

Segundo Drielle Fernanda Greguer, uma das organizadoras do protesto, a intenção é ocupar os corredores do Plenário com faixas e cartazes. Ela está grávida de 25 semanas e tem contado com o trabalho de uma doula desde o início da gravidez. “A ideia é pintar as barrigas das grávidas, inclusive a minha, além de levar vários cartazes para mostrar aos vereadores que o projeto precisa ser aprovado”, afirmou.

As doulas são pessoas, geralmente mulheres, que realizam um trabalho de apoio emocional e físico para a gestante durante todo o processo da gravidez. A palavra, segundo Amanda Nunes, que participa da organização do protesto e atua como doula em Curitiba, tem origem grega e pode ser traduzida como a “mulher que serve”.  A atuação das doulas não é regulamentada como uma profissão no Brasil.

No entanto, assim como em Curitiba, outros projetos de lei têm legalizado a atuação das doulas. Em Santa Catarina, foi sancionada uma lei similar ao do projeto que será votado na Câmara. Desde janeiro, os hospitais e maternidades de todo o estado, sejam públicos ou privados, têm a obrigação de permitir a presença das doulas durante o momento do parto. Para Amanda Nunes, a presença no momento do nascimento da criança é fundamental. 

“O pai às vezes está tão ou mais nervoso que a própria mãe e, por conta disso, não consegue dar o apoio necessário para a gestante durante o parto. É aí que o trabalho da doula entra”.

Segundo ela, no entanto, há bastante resistência dos hospitais e dos médicos em relação a esse tipo de trabalho. “A maioria das maternidades obriga a paciente a escolher entre o pai ou a doula”. Para ela, existe um preconceito em relação à atuação. “Nós não interferimos na parte médica. Apenas alertamos para procedimentos desnecessários. Tenho a impressão de que os médicos querem resolver rápido os partos e, por isso, acabam quase sempre escolhendo pela cesária. Até porque, o parto normal pode levar horas”.

No entanto, de acordo com o presidente da Sociedade Paranaense de Obstetrícia, doutor Sheldon Rodrigo Botobanski, não existe preconceito. Segundo ele, é necessário que esteja clara a função de cada um no momento do parto. O presidente, inclusive, reclama neste ponto do projeto de lei. “O trabalho das doulas é importante, mas não pode interferir de maneira alguma na atuação médica, até porque elas não têm formação para isso. E este ponto não fica claro no projeto que vai ser votado na Câmara”.

Ainda de acordo com o doutor Sheldon, a doula precisa ser tratada como uma acompanhante da gestante. Por isso que, segundo ele, é dada a opção entre o pai e ou ela. O presidente ainda afirmou que, para ele, a atuação não poderia ser cobrada. “Se trata de um trabalho voluntário, de uma pessoa que se dispôs a ajudar a gestante e, por isso, não poderia ser cobrado como um serviço”.

(Foto: Astaffolani/ Wikimedia Common)

Para o vereador Edmar Colpani (PSB), autor do projeto, a crítica do presidente da Sociedade Paranaense de Obstetrícia é infundada. “Acho que ele não leu o projeto, que deixa claro que a atuação das doulas no momento do parto é para dar apoio e não interferir na atuação médica”. Ele ainda criticou a afirmação em relação à cobrança dos serviços das doulas. “Para mim, é uma profissão como qualquer outra e que deve ser regulamentada em breve. Além disso, paga quem quer o serviço e, por isso, não concordo com a afirmação”.

O projeto de lei vai passar pela primeira votação no plenário da Câmara Municipal de Curitiba nesta terça (8). Se for aprovado, precisar ser votado novamente pelos vereadores para então seguir para a sanção do prefeito Gustavo Fruet (PDT). Se for sancionada, a lei entra em vigor em até 45 dias da publicação no Diário Oficial do município.

Já o protesto, segundo a doula Amanda Nunes, tem tido boa adesão. Na página do evento, 265 pessoas tinham confirmado presença até o último sábado (5). “Além disso, estamos com um abaixo-assinado e pretendemos colher até mil assinaturas para entregar aos vereadores, na terça”, confirmou.

Formação e atuação

De acordo com Amanda Nunes, a formação das doulas é feito por meio de cursos. “Eu, por exemplo, me formei em um curso ministrado pela ‘Doulas Curitiba’, que durou mais ou menos uma semana”. Depois disso, ela, no entanto, buscou outros cursos para complementar a formação. “Fiz cursos de psicoterapia, que me ajudam no dia a dia com a gestante”.

Segundo ela, a maioria das doulas é formada em psicologia ou é terapeuta. O trabalho com a gestante começa no início da gravidez e pode durar vários meses depois do parto. Durante a gestação, as doulas preparam a mulher com massagens e informações para o momento do nascimento da criança. Durante o parto, elas realizam um trabalho de apoio emocional, além de ajudar a gestante e o próprio pai com a escolha pelo parto normal ou cesárea.

(Foto: Divulgação)

Depois do parto, as doulas orientam a mãe em relação ao aleitamento, cuidados com o recém-nascido e os exercícios e massagens pós-parto. Como a atuação não é regulamentada como profissão, as doulas geralmente trabalham em outras áreas, como no caso de Amanda, que é fotógrafa para gestantes. Segundo o site Doulas do Brasil, o serviço costuma ser cobrado em uma faixa de R$200 a R$1 mil, dependendo do pacote escolhido.