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Leituras que transformam vidas e permitem a liberdade

Parece uma biblioteca, mas estamos dentro da PEM – Penitenciária Estadual de Maringá. Em uma sala, os presos encontram tudo o que precisam para escapar... não da prisão, mas dos erros do passado. 

Muitos já descobriram a leitura como a melhor aliada para enfrentar a privação da liberdade e sair daqui como pessoas melhores. As mãos, que já levaram algemas, hoje seguram livros, conhecimento.

Evandro, um dos nossos personagens, já cumpre condenação há dois anos, por tráfico. Nesse tempo, ele leu pelo menos 15 livros e até já se identifica com alguns autores. Olhando de forma simples, pode até parecer mais uma história no meio de milhares, mas para eles é uma nova oportunidade. Uma chance de recomeçar.

Nas páginas viradas, planos para o futuro. Leandro, de 25 anos, também cumpre pena por tráfico.  Mas a descoberta da leitura mudou a vida dele. O jovem participou do Enem e tirou 760 pontos na redação, uma das melhores notas do Paraná.

O detento pode ler quanto quiser, logo de cara, ganha cultura, vocabulário e até reduções na pena. Só que todo o conhecimento é passado a limpo.   A cada mês, o presidiário pode escrever sobre o livro que mais gostou. 

As professoras corrigem e encaminham o texto para a justiça.  Um juiz é quem analisa o conteúdo da resenha.  Um livro rende no máximo quatro dias de remição na condenação.  

Pelo sistema, em um ano, o bom leitor pode ganhar 48 dias a menos dentro da prisão. Nos livros novos que chegam estão também a esperança de transformação.

Colaboração: Nádia Lopes e Creval Sabino