21°
Máx
17°
Min

Mãe implora por ajuda: “Se ninguém me ajudar, meu filho vai morrer na rua”

(Foto: Divulgação) - “Se ninguém me ajudar, meu filho vai morrer na rua”
(Foto: Divulgação)

Lembra da história que nós publicamos na quinta-feira (30), do rapaz que estava ‘caminhando’ na Avenida Sete de Setembro e que mobilizou moradores da região que perceberam que ele precisava de ajuda? Depois da publicação da matéria os familiares dele entraram em contato com a reportagem do Portal Massa News. Ele se chama Douglas, tem 25 anos e foi diagnosticado com esquizofrenia. “Meu filho precisa de ajuda e eu não sei mais a quem recorrer”, afirma a mãe do rapaz, a dona Raquel.

De família humilde, a mãe trabalha muito e sozinha para manter a casa, o Douglas e a irmã de 14 anos. Ela relatou que o filho precisa de tratamento, que está em surto e precisa de internamento, mas a dificuldade de conseguir vaga é muito grande. “Ele sai de madrugada e fica perambulando pela cidade. No fim do dia, entre 17h30 e 18 horas ele volta para casa, mas ele não dorme mais, não come, não toma banho, não troca de roupa. Ele chega e deita no sofá e fica sem dormir, inquieto. De madrugada ele sai e muitas vezes eu saio atrás dele para traze-lo de volta, mas nem sempre consigo”, conta. “Tenho medo porque do jeito que ele está, pode chegar uma hora que ele não volte mais para casa. Se ninguém me ajudar meu filho vai morrer na rua”.

Douglas já foi internado há algum tempo e segundo a mãe, fez o tratamento e ficou bem. “Ele recebeu o medicamento, se tratou, saiu bem, mas é uma doença que precisa de acompanhamento. Meu filho não é uma má pessoa, ele é doente”.

Raquel contou que frequentemente busca ajuda na unidade de saúde do bairro onde mora, o Santa Quitéria, mas que a resposta é sempre a mesma. “No posto eles mandam eu ligar na FAS, na FAS eles mandam eu ligar no posto”, conta. “Ontem eles me ligaram, dizendo que estão tentando conseguir uma vaga para ele ficar internado, mas que para levar tem que pegar ele em casa, e quando ele percebe que vão busca-lo ele foge, ele não tem discernimento para saber que o tratamento é para ajuda-lo”, acrescenta.

A mãe disse que nem sempre quando o filho está em casa consegue contato com a FAS para que alguma equipe vá atende-lo. “O Samu eu acionei 22 vezes nos últimos quatro meses, desde que ele entrou em surto. Mas, eles vêm, medicam ele, levam para o 24 Horas e de lá quando passa o efeito do remédio ele foge”, conta.

O problema maior, e que de certa forma ‘atrapalha’ em um caso como este, é que as comunidades terapêuticas e os internamentos somente podem ser feitos, por lei, com a aprovação do paciente. Ou seja, a pessoa tem que querer se tratar e ficar internado. No entanto, o questionamento que fica é se uma pessoa que foi diagnosticada com esquizofrenia tem discernimento para saber o que ele precisa. A dona Raquel está desesperada, é uma mãe que apenas quer que o filho receba o tratamento adequado.