27°
Máx
13°
Min

Mamborê deve ter devolução de R$ 1,7 milhão de convênio com Oscip

Foto: Divulgação - Mamborê deve ter devolução de R$ 1,7 milhão de convênio com Oscip
Foto: Divulgação

O Instituto Corpore para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida, a ex-presidente da entidade Crys Angélica UIrich, e o ex-prefeito de Mamborê Henrique Sanches Salla (gestões 2005-2008 e 2009-2011) deverão restituir, de forma solidária, a soma de R$ 1.760.393,36 aos cofres desse município da região Centro-Oeste do Paraná.

O valor deverá ser corrigido monetariamente e calculado após o trânsito em julgado da decisão, da qual cabem recursos. As contas de 2007 do convênio celebrado entre a organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) Instituto Corpore e o Município de Mamborê foram julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).

O objeto da transferência voluntária, por meio da qual foram repassados R$ 1.760.393,36, era a promoção de ações na área de atenção básica à saúde municipal.

Em virtude das irregularidades, além do recolhimento dos recursos repassados, o Tribunal determinou a aplicação de três multas ao ex-prefeito: uma de R$ 1.450,98, outra de R$ 2.901,06 e uma terceira, correspondente a 10% sobre o dano ao erário, no valor de R$ 176.039,33 – totalizando R$ 180.391,37.

As sanções estão previstas no artigo 87, incisos IV e V, e 89 da Lei Orgânica do TCE-PR (Lei Complementar Estadual nº 113/2005). Também foi determinada a inclusão dos nomes de Crys Angélica Ulrich e Henrique Sanches Salla no cadastro dos responsáveis com contas irregulares.

As razões para a desaprovação foram a terceirização imprópria de serviços públicos; o recebimento pelo instituto de R$ 184.129,42 a título de taxas administrativas, sem a demonstração do seu emprego em despesas operacionais; o pagamento pela Oscip, com recursos do convênio, de R$ 126.044,23, a título de provisões; a contratação de agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias por meio de pessoa interposta; a ausência do termo de rescisão da parceria; a falta de contabilização das despesas de pessoal inerentes ao convênio; e a ausência de lançamento, como saldo inicial do exercício seguinte, de R$ 3.067,40 remanescentes de 2006.

Assim, caracterizou-se burla ao princípio constitucional do concurso público, explícito no artigo 37 da Constituição Federal. Também houve ofensa à Resolução 03/2006 do TCE-PR, à Lei nº 9.790/99, à Lei 11.350/06 e à Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal.

Defesa

Em sua defesa, o Instituto Corpore alegou que prestou serviços em caráter complementar e, portanto, não houve terceirização indevida de mão de obra. Além disso, afirmou que a taxa de administração existe para incentivar entidades do terceiro setor a realizar atividades de interesse coletivo e que as provisões custearam despesas da própria parceria.

A Oscip alegou que não há instrução do Tribunal que regulamente a prestação de contas de entidades do terceiro setor e que não houve irregularidade na contratação dos agentes de saúde.

A petição do município apresentou documentos faltantes e afirmou que a taxa de administração financiava a folha de pagamento dos profissionais que executaram os programas de saúde, cujas rescisões trabalhistas eram pagas com as provisões. O ex-prefeito confirmou as informações do instituto e do município e ressaltou que não houve terceirização dos serviços públicos.

Competência do TCE-PR

Ao fundamentar seu voto, o relator do processo, conselheiro Fabio Camargo, concordou com a Diretoria de Análise de Transferências (DAT) e com o Ministério Público de Contas (MPC), que opinaram pela irregularidade das contas com aplicação de sanções aos responsáveis.

Ele frisou que a cobrança de taxas administrativas é expressamente vedada pela Resolução 03/2006 do TCE-PR.

Camargo ressaltou que não há complementariedade quando o município transfere a entidade do terceiro setor a execução de grande parte de suas atividades e assume o risco pela execução desses serviços.

O relator destacou que o Artigo nº 52 da Resolução nº 3/2006 estabelece que “as normas desta resolução quanto à fiscalização, formalização, liberação e execução de transferências voluntárias aplicam-se, no que couber, para os repasses às organizações de sociedade civil de interesse público (Oscips), às organizações sociais (OSs), e às parcerias público-privadas (PPPs), bem como às subvenções econômicas”.

A Diretoria de Análise de Transferências (DAT), responsável pela instrução do processo, apresentou um exame aprofundado sobre a legitimidade do TCE-PR para a apreciação das prestações de contas de recursos públicos recebidos por entidades do terceiro setor, inclusive pelas Oscips.

O conselheiro Fabio Camargo ressaltou que o entendimento pacificado no TCE-PR é de que os termos de parceria firmados pelos entes públicos estaduais e municipais com as Oscips estão sujeitos à fiscalização pelo controle externo, por meio de auditorias internas dos órgãos repassadores dos recursos e pelo Tribunal de Contas.

Segundo ele, a competência do TCE-PR para essa fiscalização está estabelecida no Artigo nº 70, da Constituição Federal, e no Artigo nº 75 da Constituição Estadual do Paraná, que em seu parágrafo único dispõe que “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos...”. Além disso, Camargo lembra que a matéria é regulamentada pelo Artigo 4º, inciso VII, da Lei Federal nº 9.790/99 e que os artigos nº 11, parágrafo 2º, e nº 12 do Decreto Federal nº 3.100/99 descrevem o rol mínimo dos documentos que devem ser apresentados pela Oscip.

Decisão

Os conselheiros aprovaram, por maioria absoluta, o voto do relator, na sessão de 30 de março da Segunda Câmara. Eles determinaram o encaminhamento de cópias aos autos ao Ministério Público Estadual para que sejam tomadas as providências de sua competência.

Os prazos para recursos passam a contar a partir da publicação do acórdão nº 1326/16 na edição nº 1.340 Diário Eletrônico do TCE-PR, veiculada em 15 de abril, no portal www.tce.pr.gov.br

Colaboração: Assessoria de imprensa