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Meneghel revela detalhes de como tudo teria acontecido na noite que Alexandre morreu

(Foto: Divulgação/Viviane Nonato/Massa News) - Meneghel revela detalhes de como tudo teria acontecido na noite que Alexandre morreu
(Foto: Divulgação/Viviane Nonato/Massa News)

A esperada declaração de Alessandro Meneghel sobre o que teria realmente acontecido na madrugada de 14 de abril de 2012, aconteceu nesta tarde (31), no salão do Tribunal do Júri, em Curitiba. O ruralista é julgado no caso da morte do Policial Federal Alexandre Drummond Barbosa, registrado em frente a uma casa noturna de Cascavel.

O Júri Popular acontece em Curitiba, por conta do pedido da acusação para o desaforamento, uma vez que o acusado é pessoa bastante conhecida em Cascavel e região. O julgamento iniciou na quarta-feira (30), e deve ser encerrado ainda nesta noite.

Em seu depoimento, Meneghel declarou que “na noite dos fatos, estava em sua casa e foi convidado pelo irmão e por amigos para ir para a fazenda da família. Ele teria a princípio recusado o convite, mas depois saiu em companhia de um amigo e passaram de carro em frente a um bar, onde avistou outros conhecidos, inclusive uma pessoa que não via há tempos e parou para conversar”. Meneghel relatou que na sequência, entrou na casa noturna e encontrou mais conhecidos em uma mesa. Que também encontrou uma moça (de quem ele não quis revelar o nome) que teria mexido com ele, e como ele já estava separado da esposa, ficou interessado na mulher”.

Ele afirmou que depois disso, foi falar com os amigos, e voltou a circular pela casa na tentativa de encontrar novamente a moça. E, teria sido nesse meio tempo que “do nada, Alexandre (a vítima), teria começado a agredi-lo verbalmente”. “Do nada tinha uma pessoa me olhando feio, e me xingando de f. da p., corno, vagabundo”, disse. Conforme Meneghel, ele teria virado para Alexandre e perguntado, “é comigo isso?”

Segundo o relato dele, Alexandre teria então perguntado a ele: “Quer levar um tiro na cara?”

Para evitar confusão, segundo Meneghel, ele teria então saído da casa noturna, pegou seu carro no estacionamento e foi para sua casa buscar seu cachorro (um cão da raça Pastor Belga Malinois) e voltou até a casa noturna para pegar o amigo que tinha ficado por lá e de lá seguir até a fazenda da família. Ele afirmou que “quando parou em frente à casa noturna, alguém mexeu com o cão dentro do carro, e ele subiu o vidro do carro e mandou o cão para o banco de trás. Neste momento, algum ‘bêbado’ que ele não sabe quem é, teria aberto a porta de trás de seu veículo e o cão ficou agressivo. Ele teria virado para mandar fechar a porta e engatou a marcha ré e então teria visto Alexandre sacando a arma para atirar contra ele”.

Quando o Juiz questionou quem atirou primeiro, Meneghel afirmou que “os dois atiraram simultaneamente”. “Eu fui atingido por dois tiros, minha caminhonete ficou crivada de tiros, eu apenas atirei para me defender. Sinto muito pela vida que se perdeu, mas ou eu matava, ou eu morria naquela hora”, afirma.

Ele revelou que tinha duas armas de fogo na caminhonete, uma pistola de calibre 380 e uma arma de calibre 12. Ele afirmou que “não atirou contra Alexandre com a pistola, que teria pego a arma e atirado em direção a parede com a intenção de que Alexandre parasse de atirar. Como Alexandre não teria parado, ele pegou a 12 e atirou”. Para o juiz, ele disse que efetuou cinco disparos com a 12 contra Alexandre”.

Ao juiz, Meneghel reafirmou que não conhecia Alexandre, não tinha conhecimento que ele era policial federal, e que não havia nenhum desentendimento anterior entre eles. “O que eu acho, a suposição que faço, é que ele veio com marra para cima de mim, porque ele era uma pessoa agressiva, era marrento, as testemunhas comprovaram isso, e acho que ele veio para cima de mim com isso”

Meneghel ainda revelou que após a “troca de tiros, saiu do local e seguiu para a fazenda da família. Ele disse que como o veículo foi atingido por tiros no radiador, acabou fundindo o motor e ele precisou andar em meio a lavoura. Ele também disse que, depois, em segurança, ligou para o delegado da Polícia Federal (na época o delegado Rivaldo Venâncio) e disse que “tinha acontecido uma cagada”.

Depois disso, ele se entregou à polícia. Em seu relato, ele também afirma que “foi agredido por policiais federais, que levou socos e coronhadas e que ficou bastante ferido quando foi levado para a Penitenciária Federal de Catanduvas”.

Sobre as armas, o juiz questionou se ele tinha conhecimento que não poderia estar armado, e ele respondeu que “sim, sabia, mas que foi jurado de morte pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), porque enquanto presidente da Sociedade Rural do Oeste e agricultor, combateu as invasões de terras na região”. “E, quem mora na fazenda, sempre anda armado, desde jovem eu tenho as armas”.

Ainda durante o julgamento, o Ministério Público questionou Meneghel em relação a sua ‘extensa ficha policial’, e ele preferiu não responder. O MP também exibiu um vídeo com imagens de Alexandre, com a família, no trabalho com o filho e deixou muitas pessoas emocionadas, sobretudo os familiares que acompanham o Júri.

A previsão é que o resultado seja divulgado no fim desta noite, no entanto, é possível que a sessão avance pela madrugada.

Relembre

Na madrugada de 14 de abril de 2012, Alexandre foi morto a tiros em frente a uma casa noturna de Cascavel. Alessandro Meneghel confessou ter atirado contra o policial federal e inclusive ficou preso durante quase quatro anos. Agora, ele segue em prisão domiciliar. Até então, nenhum detalhe ou motivação para o crime havia sido revelado.