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Militante é agredido no Centro de Maringá; parada LGBT será no próximo domingo

(Foto: Maringay.com.br) - Militante é agredido no Centro; parada LGBT será no próximo domingo
(Foto: Maringay.com.br)

A homofobia motivou uma agressão a um jovem de 22 anos na noite dessa quinta-feira (12), no Centro de Maringá. Perseguido por quatro rapazes, Keslley Santos, militante LGBT, recebeu socos próximo ao Terminal Urbano, quando retornava para casa, por volta das 20h.

Santos passou inicialmente pelo grupo e foi chamado de “veado”, mas continuou seu caminho. Após comprar um lanche, seguiu para o Terminal para pegar um ônibus, mas como o transporte iria demorar, decidiu ir até um supermercado próximo.

No caminho, novamente foi atacado verbalmente pelo quarteto, que passou a segui-lo até agredi-lo com socos no rosto e abdômen. As pessoas que estavam próximo ao local do espancamento correram e Santos conseguiu fugir, após receber alguns golpes, para um local onde estavam motoristas do transporte coletivo.

Ferido, ele registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil por injúria referente à raça, lesão corporal e homofobia. Na tarde desta sexta-feira, o rapaz passou por exames para comprovar a agressão no Instituto Médico-Legal (IML).

Keslley Santos espera que as câmeras da Guarda Municipal tenham flagrado o crime e ajudem a identificar os envolvidos.

Políticas públicas

Homossexual e negro, Keslley Santos é integrante da Associação Maringaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e representa a entidade no Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Nesta sexta-feira, com hematomas no rosto e dores no abdômen, ele declarou sua indignação com o crime.

“Fico muito triste que isso aconteceu comigo. Hoje em Maringá, nós vemos homossexuais trabalhando em tudo quanto é local. Eu trabalho em uma autopeças, que é um local predominantemente hétero. Eu tenho total respeito na minha empresa e, na rua, essa falta de respeito com o ser humano”, colocou.

Como militante da causa LGBT, ele avalia que ainda é preciso evoluir muito nas políticas públicas. “Será que eu não tinha direito de ir e vir na rua? Ainda falta muito dos nossos governantes e da própria população. Essas pessoas que me agrediram vão ser condenadas por agressão, não por homofobia. As políticas públicas são muito restritas. Assim como aconteceu com as mulheres no passado, será que vai ter que acontecer uma tragédia para conseguir alguma coisa? Esse ano é de eleição na esfera municipal, o que nossos candidatos têm a dizer a essa parcela da sociedade?”, questionou.

Crimes recorrentes

No fim do último mês de abril, uma adolescente de 14 anos, travesti, foi assassinada e teve seu corpo jogado em um rio, em Novo Itacolomi. Três adolescentes confessaram o assassinato.

Já no último dia 5, três homens invadiram a Casa Missão Amor Gratuito, em Maringá, abrigo destinado ao público LGBT, e agrediram os moradores. Uma pessoa chegou a ser esfaqueada.

Orgulho LGBT

Para propor um debate e defender a causa e o orgulho LGBT, uma semana de reflexão será realizada em Maringá sobre identidade e reconhecimento da condição LGBT, mercado de trabalho, falta de segurança e políticas públicas, entre outros assuntos.

No dia 22 de maio haverá a parada LGBT, com início às 14h, com concentração ao lado da prefeitura. Os participantes sairão pela Avenida São Paulo até o estacionamento do estádio Willie Davids.