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Mortes de policiais é notícia velha

(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil) - Mortes de policiais é notícia velha
(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

A violência crescente vai atingindo patamares cada vez mais altos. Recentemente, o assassinato de policiais vem ganhando destaque, mas, ao contrário do que muitos imaginam, não é a quantidade de casos que vem aumentando, e sim a divulgação dos fatos. Esta é a informação do presidente nacional da Ordem dos Policiais do Brasil, o Policial Rodoviário Federal, Frederico França. 

“Não está crescendo, sempre existiu e em patamares altos, o que tem acontecido agora é uma maior divulgação das ocorrências”, diz. “Nunca antes foi feito um levantamento sério do assunto”, acrescenta.

Para ele, ser policial não é fácil. Além de ter de lidar com o lado mais obscuro do ser humano, ainda existe uma série de outros fatores, difíceis de lidar, como a falta de valorização da profissão. “O descaso em relação às mortes de policiais e profissionais de segurança é tamanho que o governo sequer tem conhecimento da real quantidade de óbitos”, enfatiza. “As políticas públicas são criadas a partir do conhecimento da causa, então, se o governo não sabe da realidade, como vai combater esse tipo de situação”, questiona.

A OPB começou neste ano, a compilar dados para iniciar um levantamento das mortes para então começar a tratar o assunto. Os dados correspondem ao ano de 2016 até o dia 22 de fevereiro, e a lista foi nomeada como “mortômetro”. No período, foram 88 mortes de policiais. França explicou, que os dados foram levantados através de notícias veiculadas na mídia e confirmadas uma a uma. 

“Sabemos da limitação e que a realidade pode ser ainda mais cruel”.

Listando o ranking de violência, os cinco estados com maior quantidade de casos são pela ordem, São Paulo (com 17 mortes); Rio de Janeiro (11); Paraná (que até o dia 22 de fevereiro tinha 6 mortes, porém, já conta com 8 até o momento) e Ceará, Goiás e Minas Gerais, empatados com 5 cada.

Os policiais militares são a maioria quando o estudo é dividido por corporação. Foram 59 mortes de PMs; 23 de policiais civis; 7 guardas municipais; 3 bombeiros e outros 3 PRFs.

Anuário

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicação do Fórum Nacional de Segurança Pública, também demonstram, assim como a afirmação de França, que os crimes deste tipo sempre existiram.  O estudo atual, datado de 2015, com dados de 2014, apontam que em todo o Brasil em 2014, 398 policiais foram assassinados, sendo a maioria dos casos registrados quando as vítimas estavam fora do horário de expediente. Número alto, considerando que o ano tem 365 dias, praticamente uma morte por dia, mas ainda assim, o total foi 2,5% inferior a 2013, quando 407 mortes foram registradas.

Ainda conforme o Anuário, no Paraná em 2014, foram 21 mortes de policiais militares, sendo seis em serviço e 15 fora dele. Em todo o ano de 2013 haviam sido 3 mortes de militares, uma fora e duas em serviço. Já em relação aos policiais civis, foram três mortes em 2014, sendo 2 em serviço e um fora e em 2013, duas mortes, uma em serviço e outra fora.

Os dados usados no estudo do Anuário são levantados junto às secretarias de segurança de cada Estado.

Causa

Mas, a pergunta que não quer calar é por qual motivo tantos policiais estão sendo assassinados? Nas considerações de Rafael Alcadipani da Silveira, professor de estudos organizacionais da FGV, no Anuário, “não há ainda uma quantidade significante de estudos e análises acadêmicas que sejam capazes de responder ao questionamento”. Por outro lado, é possível com base na análise da realidade diária dos policiais, sugerir, segundo ele, algumas possibilidades, como a baixa remuneração que leva a realização de ‘bicos, que por consequência expõe o profissional a maior risco, o crescimento mesmo da criminalidade ou ainda vingança por parte de criminosos.

Já França, relatou que a maior parte das mortes, é gerada fora do horário de trabalho, mas, por conta da profissão. 

“A maioria das mortes que registramos foi de policiais que estavam de folga e que reagiram a um crime em andamento e acabaram mortos”, diz. “Muito se fala em ‘bico’, mas existe muito pouco disso”.

Como reverter essa situação? Os dois são unanimes: valorizar o profissional. “É preciso que a população também se conscientize de que precisa valorizar o trabalho policial, deveriam ser feitas campanhas neste sentido. Um policial valorizado, motivado com salários condizentes, com treinamento adequado e atualizações constantes, significa um profissional preparado para lidar com toda e qualquer situação”, enfatiza França.

(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

Sesp

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), questionando de que forma o caso é tratado pela Pasta, se existe uma preocupação em relação aos registros de mortes de policiais no Estado. Em nota a assessoria respondeu que “as recentes mortes de policiais tiveram motivações distintas. Que todos os casos envolvendo assassinatos de policiais contam com investigações próprias, muitas já com autoria definida e pessoas presas e que a solução desses casos é prioridade para a Secretaria da Segurança Pública e as polícias têm desenvolvido apurações técnicas e minuciosas”.