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MP investiga morte de bebê que teve a cabeça cortada durante parto em Toledo

Colaboração: Radar BO. - MP investiga morte de bebê que teve a cabeça cortada durante parto
Colaboração: Radar BO.

O Ministério Público investiga a morte de um bebê durante o parto em um hospital de Toledo, no Oeste o Paraná, no dia 2 de novembro. O Massanews noticiou o caso à época e conversou com a família. A mãe acusa o hospital e o médico de negligência por não realizar a cesárea e, diante disso, provocar a morte da criança. Além disso, o bebê teve a cabeça cortada para ser retirado da mãe. 

A 2ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento investigatório criminal e está apurando os fatos. Até o momento, não há conclusão sobre a ocorrência de eventual erro médico. Mesmo assim, o MP expediu recomendação administrativa ao Hospital Bom Jesus - Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná a fim de que sejam adotadas providências imediatas "com o objetivo de sanar deficiências verificadas durante as investigações". 

A recomendação também inclui a disponibilização imediata e 24 horas por dia de plantonistas presenciais, ginecologistas, obstetras e anestesiologistas. Determinou, ainda, que o hospital deixe de contratar médicos que não tenham especialização para ocupar tais posições. Os contratos com profissionais não especialistas devem ser rescindidos.

Entenda o caso

Nídia de Paula Nonato, 38 anos, estava grávida de 9 meses e quatro dias. Ela esperava por uma menina saudável, que pesava mais de 4 kg. O que ela não esperava era que complicações durante o parto e, segundo ela, negligência e erros médicos terminariam com sua filha morta antes mesmo de nascer.

A criança que ela esperava faleceu durante o parto, realizado na Casa de Saúde Bom Jesus em Toledo, no Oeste do Paraná. A mulher conta que fez todo o pré-natal em sua cidade natal, mas estava ciente de que ganharia a criança em outro hospital. 

No dia 31 de outubro, Nídia foi levada pelo marido ao hospital pois estava passando mal. Ela buscou atendimento no posto e foi transferida de ambulância para a Casa de Saúde. Como o quadro não evoluía para parto normal, visto que não havia dilatação suficiente, um dos médicos de plantão levou-a para fazer um ultrassom especial no dia 1º de novembro. "Nele, foi mostrado que a bebê estava muito grande e não havia possibilidade de parto normal", diz.

A cesárea foi agendada para as 7h30 do dia seguinte. No entanto, Nídia afirma que a bolsa estourou às 4 horas da madrugada. "Sentia muita dor, me levaram para a sala de parto e até aí tudo bem. Acontece que comecei a ter muitas dores mas a dilatação não era suficiente. Eu pedi inúmeras vezes que o médico fizesse cesárea e não fui atendida. Ele dizia que eu já era "profissional" nisso, já que tive quatro filhos por parto normal", contou ao Massanews.

Nídia, que assistiu tudo e lembra do episódio, revela que ouviu comentários das enfermeiras de que ela deveria ser encaminhada para a sala de cirurgia. "Mesmo assim, o médico insistia que não".

Por fim, depois de algumas horas, a cabeça da criança saiu, mas o resto do corpinho da bebê ficou preso. A mulher conta que o médico tentando puxar a menina para fora, mas sem sucesso. "Ela ficou roxa num instante. De repente, ele disse que não tinha mais jeito e me transferiu para a sala de cirurgia. Chegando lá, minha filha já tinha morrido. Jogaram um pano nas minhas pernas, chamaram a anestesista e enfim retiraram o corpo". 

Entretanto, o pior, segundo ela, ainda estava por vir. "Os funcionários da funerária que prepararam o corpo para o sepultamento contaram que o pescoço da minha bebê foi cortado e costurado ao corpo. Meu marido veio me contar isso só no outro dia. O médico separou o corpo da cabeça. Não acredito que fizeram isso com a minha filha", lamenta.

Agora, a família pede por Justiça. "Queremos processar o médico, pois ele se negou a fazer a cesárea no momento certo", diz.