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“Não acredito em distúrbio, Ellen é dissimulada, maquiavélica”, afirma o delegado Fábio Amaro

(Foto: Reprodução/ Polícia Civil) - “Ela é dissimulada e tinha condição de agir sozinha”, diz delegado
(Foto: Reprodução/ Polícia Civil)

A defesa de Ellen Homiak, a acusada do crime que resultou na morte do policial militar Rodrigo Federizzi, disse na quinta-feira (25), durante e reconstituição do crime que irá pedir um exame de sanidade mental da acusada. Hoje (26), o delegado responsável pelo caso, Fábio Amaro, afirmou que “não acredita que ela tenha algum distúrbio”. “O perfil dela é de uma pessoa totalmente dissimulada, maquiavélica”, disse. “Essa é uma estratégia da defesa, porque se trata de um crime grave, de um homicídio qualificado, além da destruição e da ocultação do cadáver”.

Ele também revelou mais detalhes sobre a investigação, que acabaram derrubando a tese apresentada pela acusada de que “ela teria matado porque eles tiveram uma discussão e ele teria dito que iria interna-la em uma clínica psiquiátrica e tirar o filho dela”. “Nossa investigação levou para uma motivação financeira”.

Amaro relatou que o casal mantinha uma poupança com R$ 50 mil, que seriam economias dos últimos 5 anos da família. Acontece que o dinheiro sumiu da conta que era ‘administrada’ por Ellen. “O dinheiro sumiu. Ela diz que gastou com despesas pessoais, da família e que é viciada em jogos de azar”, diz. “Estamos investigando o destino do dinheiro”, acrescenta.

Com o ‘sumiço’ do dinheiro, o delegado acredita que começou então a premeditação de Ellen para o crime. “Ela tentou contrair um empréstimo no valor do dinheiro que sumiu, mas ela tinha restrições no nome e não conseguiu”, conta. “Então, a partir disso, ela simulou um sequestro onde disse que teve os cartões roubados e consequentemente o dinheiro”.

Ellen chegou a registrar um boletim de ocorrência desse ‘falso crime’. “Acredito totalmente na premeditação”, disse. “Quando ela percebeu que não teria como repor o dinheiro, passou a pensar em outra possibilidade. Então, tinha a mala, tinha a faca, tinha a serra no apartamento. Ontem, durante a reconstituição, encontramos no carro a aliança que ela disse ter sido roubada no falso sequestro”.

Boatos dão conta de que “ela poderia ter um amante” e que o dinheiro estaria com essa pessoa. O delegado disse que “não pode comentar este assunto”, e que o fato está sob investigação. Quanto à possibilidade de uma segunda pessoa ter participação no crime, Amaro enfatiza que não descarta a possibilidade de uma pessoa ter indiretamente participado no sentido de ‘incentivar’ a mulher a cometer o crime, mas para ele, não restam dúvidas de que Ellen cometeu o crime sozinha. “Ela apertou o gatilho, serrou as pernas dele, carregou a mala e enterrou as partes, sozinha”, afirma. “Ela tinha condição física de serrar as pernas e carregar o corpo e também psicológicas de fazer tudo isso”.

Sigilo

A polícia solicitou e a Justiça concedeu a quebra do sigilo telefônico de Ellen de um ano atrás. Conforme o delegado, a análise das ligações vai apontar com quem ela tinha contato, a frequência dos contatos e isso pode ajudar na elucidação de uma possível participação de uma segunda pessoa como ‘partícipe’ do crime.

Sobre o filho do casal, o delegado revelou que “o menino estava no apartamento no momento do crime, ele ouviu o tiro e o estojo caindo no chão”. Ainda conforme o delegado, a criança não teve acesso ao corpo do pai morto no apartamento. “Não, ele não viu o pai morto na cama”.