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Número de assalto a bancos em 2016 está perto do número de casos em 2015

Em um dos casos, suspeitos usaram uma marreta para quebrar o vidro e entrar na agência (Foto: Divulgação) - Número de assalto a bancos em 2016 está perto do número de casos em 2015
Em um dos casos, suspeitos usaram uma marreta para quebrar o vidro e entrar na agência (Foto: Divulgação)

Ir a uma agência bancária é tarefa que todo mundo terá que fazer pelo menos algumas vezes na vida. Pagar contas, sacar dinheiro, cuidar dos investimentos. Os motivos são variados, mas o que antes, lá no passado, era sinônimo de segurança, hoje está relacionado com o medo. Como tudo na vida, até a criminalidade se adapta a ‘realidade’ do momento. Dados do Sindicato dos vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, apontam que nos últimos tempos houve uma migração na forma de se praticar crimes nas agências bancárias.

“Há uns dois anos, a forma de os bandidos agirem era usando o maçarico nos caixas eletrônicos, depois eles descobriram a dinamite e passaram para as explosões e agora, mais recente, e bem mais assustador, vieram os assaltos mesmo”, relata a assessora de imprensa do Sindicato, Marcela Alberti.

O que levou a esta mudança foram as medidas que ao longo dos acontecimentos foram sendo tomadas. “Maçarico e explosões tinham como alvo os caixas eletrônicos de bancos e de estabelecimentos. Chegou um ponto que os caixas eletrônicos fora de agências deixaram de existir praticamente, e nas agências uma série de medidas, como limitar a quantia em dinheiro durante a noite e madrugada passou a ser regra”, explica Marcela.

Sem a ‘facilidade’ de agir durante a madrugada, os assaltantes ficam cada vez mais ousados, e passam a agir durante o dia, em horário de expediente e que muita gente inocente acaba ficando no meio do crime, correndo risco, como o caso do idoso durante o assalto a uma agência na Lapa. Ele estava sentado no mesmo local de todos os dias, fora do banco, em uma sorveteria, e acabou morrendo ao ser atingido por tiros.

Na última semana esse tipo de ação ficou mais clara e mais próxima. Cinco homens tentaram assaltar um banco no Bairro Fazendinha. Às 11 horas da manhã, com a agência lotada, dois deles entraram no local e passaram pela porta giratória com um simulacro de arma de fogo (arma de plástico) e deram voz de assalto. Os vigilantes reagiram, os outros três suspeitos que estavam fora da agência atiraram e começou uma troca e tiros. Por sorte e pelo preparo dos vigilantes, nenhum cliente se feriu. Dois suspeitos foram mortos, três fugiram e um dos vigilantes foi ferido na perna.

Conforme o Sindicato, apenas nestes primeiros meses de 2016 a quantidade de assaltos a agências bancárias e instituições financeiras já apontam para um grande aumento nesta modalidade de crime. 

Enquanto em todo o ano de 2015, em todo o Paraná foram registrados 15 assaltos, neste ano, em pouco mais de 60 dias, já foram 12 casos.

Marcela aponta que respeitar os itens de segurança nas agências é o ponto fundamental para evitar assaltos. A porta giratória pode até parecer um mecanismo desnecessário, chato até para os clientes que as vezes ficam vários minutos tentando passar por ela, mas foi exatamente a porta giratória que deu a certeza aos vigilantes da agência do Bairro Fazendinha de que podiam reagir. “A porta estava devidamente calibrada, então os vigilantes tinham certeza absoluta que os suspeitos não tinham entrado com armas de fogo e o que portavam era simulacro”, conta Marcela.

Ela explica, no entanto, que em alguns locais, devido a reclamação de clientes, a calibragem das portas não são tão rigorosas.

“Tem pessoas que simplesmente não suportam a ideia de serem barradas na porta giratória, mas tenta passar com chave, celular, moedas, e tudo o mais de metal que conseguir carregar. É claro que com a calibragem correta a porta vai travar”, diz. “Nestas horas, muita gente acha que a culpa é do vigilante e não entende que é para sua própria segurança. Se você não consegue passar com uma moeda pela porta é sinal que uma pessoa armada também não vai passar, mas se você passou com chave e outros metais, uma pessoa com uma faca, uma arma, vai passar”.

Marcela compara a porta giratória das agências com o embarque nos aeroportos. “A diferença é que no aeroporto a pessoa sabe que se não respeitar a determinação não vai entrar na sala de embarque, e no banco, ela nem sempre tem a mesma atitude”.

Dois suspeitos foram mortos e um vigilante ficou ferido no Fazendinha (Foto: Divulgação)

Outro ponto importante em relação à segurança destacado pelo sindicato, são as paredes de vidro internas das agências, que em sua maioria, não são blindadas. “Em nome da estética, a segurança vem sendo preterida. Claro que as paredes de vidro são bonitas, funcionais no sentido de ver o que acontece do outro lado, mas sem blindagem não tem segurança”, destaca. “Dois exemplos recentes são o caso do Fazendinha, que os suspeitos que estavam fora e armados atiraram e estilhaçaram o vidro interno e o assalto ao banco da Borda do Campo, em que os homens com uma marreta quebraram a parede interna de vidro e entraram na agência”.

Bancários

Assim como o sindicato dos vigilantes a Federação Paranaense dos Bancários relata preocupação em relação à segurança. Para o presidente da Federação no Estado, Gladir Basso, “a segurança é precária e não protege efetivamente bancários e clientes”. “Nós (Federação) temos uma comissão que vem discutindo essa questão e tentando encontrar formas de tornar o trabalho e o serviço mais seguros”, diz.

Ele relata que em algumas cidades do interior do Estado, sequer existem portas giratórias nas agências bancárias. 

“É um absurdo, mas existem casos assim. Em algumas cidades precisamos provocar o Ministério Público para que intervenha”.

Basso relatou que todo e qualquer mecanismo de segurança é importante e citou como exemplo, a lei dos biombos. “Antes de os biombos serem obrigatórios, a quantidade de crimes de saidinha de banco eram imensamente maiores, porque quem estava dentro da agência sabia que tinha sacado dinheiro”, relata.

Agora, além de seguir com a luta pela implantação das portas giratórias em todas as unidades bancárias, a Federação busca também, a obrigatoriedade de segurança 24 horas. “O atendimento encerra, mas os bancários continuam lá, o autoatendimento segue, com a presença de vigilantes 24 horas a segurança aumenta”.

Cope

As investigações dos crimes relacionados a bancos são de competência do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil. O delegado Rodrigo Brown, titular da unidade, explica que “por força de lei, o Cope investiga crimes em instituições financeiras, joalherias”.

Ele enfatizou que a polícia vem acompanhando essa migração da forma de agir em crimes. “Começaram com os maçaricos, a polícia agiu. Então migraram para os explosivos e nós agimos novamente. No fim de 2015 detivemos uma quadrilha que vinha do interior de São Paulo agir no Paraná e conseguimos reduzir a quantidade de casos”, diz. “Mas agora, ainda temos alguns ‘corajosos’ que não tem nada a perder e que estão querendo praticar assaltos mesmo”, acrescenta.

Brown diz que a melhor forma de combater esse tipo de crime, é a polícia realizar efetivamente seu trabalho, e para ele, é isso que vem acontecendo. 

“Quando desarticulamos quadrilhas, prendemos bandidos, os crimes diminuem e é isso que estamos fazendo”.

O delegado também disse, ao contrário da opinião do Sindicato dos Vigilantes e da Federação dos Bancários, que acredita que as agências bancárias são bastante seguras.

“Vejo as unidades como seguras, tem as portas giratórias, os vigilantes. O que acontece é que são bandidos que vem de fora do Estado e acham que nós não estamos preparados para combatê-los. Mas, posso garantir que estamos”.

CPI

A situação é tão crítica em relação a situação dos bancos que os deputados estaduais também entraram na ‘investigação’. Foram seis meses de trabalhos, e a CPI dos caixas eletrônicos constatou que o problema é dos bancos. Para a Comissão, as polícias e o Procon têm feito sua parte, mas as instituições financeiras têm deixado de investir em segurança.

A proposta dos deputados para tentar reverter a situação, é a criação de uma vara especializada na investigação de crimes contra a ordem pública, além de projetos de lei regulamentando a obrigatoriedade de dispositivos de segurança nas instituições bancárias e lotéricas, um sobre limites mínimos de caixas eletrônicos nas cidades e nos municípios, e outro para integralizar as câmeras das instituições bancárias ao sistema da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Febraban

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou em nota enviada a reportagem do Massa News que “a instituição e seus bancos associados, acompanham com extrema preocupação os ataques a caixas eletrônicos e bancos em todo o País”.

A Federação também destaca que vem trabalhando em diferentes frentes para combater o problema. Uma das áreas de atuação é firmar parceria com as forças policiais para incentivar a identificação e prisão dos assaltantes. “Os bancos contribuem com propostas de novos padrões de proteção, além de informações que contribuem com as investigações”.

Além das parcerias, a Febraban garante que os bancos seguem investindo fortemente em segurança.

“Com aportes que superam R$ 9 bilhões anuais, incluindo medidas preventivas de instalação de cofres com dispositivo de tempo, circuitos fechados de televisão, sistemas de detecção e monitoramento, alarme”.

A nota também destaca que as instituições financeiras já reduziram o volume de dinheiro disponível nas agências e incentivam a população a usar os canais eletrônicos para realizar operações bancárias. “O resultado desses investimentos tem se refletido na diminuição no número de assaltos: em 2014, houve 385 assaltos a bancos em todo o País, uma queda de quase 80% na comparação com o ano 2000, quanto foram registrados 1.903 assaltos e tentativas de assalto.