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Óculos de grau são vendidos livremente em camelôs

A cabeleireira Bernadete Celusniak não consegue trabalhar sem os óculos para enxergar de perto. Mas um dia, ela esqueceu de levá-los até o salão e decidiu que precisava comprar outro, mais barato.

“Fui ali numa banquinha no Paraguaizinho que me falaram que vendia e comprei. Depois desse dia, várias outras vezes que eu esqueci meus óculos em casa, quando eu precisava fazer uma tintura, dava uma corrida ali e comprava”, conta.

O problema é que o produto adquirido no comércio ilegal causou um grande desconforto à visão dela. “Eu compro pelo grau que eu uso, mas eu já vi que tem alguns que não é o grau que está ali, você compra e não enxerga”, completa.

Óculos vendidos em camelôs podem provocar graves problemas à saúde, incluindo cataratas e degenerações maculares senis

Apesar de parecer inofensivo, os óculos vendidos no comércio clandestino podem provocar graves problema à saúde, conforme explica o oftalmologista Carlos Garlett. “As lentes dos óculos servem como uma proteção, elas têm filtros para proteger de luzes nocivas, ultravioleta. Então, o fato de você usar essas lentes sem qualidade nada mais são do que plásticos, não vai ter nenhum filtro para o olho e pode causar um problema muito grave, não só catarata, mas degenerações no fundo do olho chamadas de degenerações maculares senis”, explica.

A Legislação determina que só as óticas devidamente regularizadas podem comercializar óculos de grau, com a apresentação de receita médica. Portanto, a venda do produto fora das normas é ilegal. Mesmo assim, a equipe da Rede Massa flagrou a venda do produto livremente no camelô de Ponta Grossa. Com câmeras escondidas, os produtores conseguiram com facilidade comprar óculos sem receita médica. O preço baixo é o principal atrativo.

Legislação determina que só as óticas devidamente regularizadas podem comercializar óculos de grau, com a apresentação de receita médica

O especialista em lentes Jefferson Moraes realizou testes nos produtos adquiridos no Paraguaizinho, e o resultado foi preocupante. “Aqui a gente observa que esses óculos estão realmente no grau especificado. Porém, quando a gente foge do centro da lente, quando o olho corre do centro da lente, há uma oscilação de grau”, explica.

Jefferson comenta ainda que “o centro ótico da lente não está respeitando o centro ótico do usuário” e questiona se o grau usado pelos clientes são de fato aqueles que eles deveriam usar.

Óculos vendidos no Shopping Popular custam entre R$ 15 e R$ 25; nas óticas regularizadas, preço médio é de R$ 120

Os óculos vendidos no Shopping Popular custaram entre R$ 15 e R$ 25. O valor é bastante diferente do encontrado nas óticas autorizadas, o que se torna um atrativo para quem quer economizar. Um produto semelhante ao encontrado no camelô, em um local regularizado, custa cerca de R$ 120.

Para o oftalmologista, a tentativa de economizar nos óculos pode custar caro a saúde. “Na nossa prática diária, a gente vê todo dia pessoas com problemas de visão porque deixaram de cuidar e foram pelo caminho mais fácil”, conclui Garlett.

Colaboração Maira Zimermann, da Rede Massa.