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Paciente define atendimento de ‘falso médico’ preso como “impecável”

(Foto: Divulgação / Polícia Civil) - Paciente define atendimento de ‘falso médico’ preso como “impecável”
(Foto: Divulgação / Polícia Civil)

A notícia da prisão de Emerson Eduardo Toldo, na manhã desta segunda-feira (20), por falsidade ideológica e documental, estelionato e exercício ilegal da medicina, surpreendeu uma paciente que foi atendida por ele. A aposentada Leila Regina Rissi, de 64 anos, classificou o atendimento feito por Toldo como “impecável”.

“Ele foi solícito, educado, se mostrou um profissional bem gabaritado e como pessoa foi maravilhoso”, comentou Leila, que se disse abismada com a notícia. Sua consulta com Toldo aconteceu no dia 11 de maio, no setor de Cirurgia Vascular do Hospital Cruz Vermelha, onde ela trata uma erisipela há dois anos.

A consulta durou mais de uma hora, e, de acordo com Leila, o ‘falso médico’ não deu sinais de que seria um impostor. “Ele falou com muita propriedade, uma pessoa de fino trato, observou os detalhes, falou bastante, pareceu muito capacitado. Não dava para desconfiar de nada! Conversou bastante comigo sobre alimentação, me prescreveu orientações e o remédio que já estou tomando”, contou a paciente. Ele se apresentou como médico e usava um jaleco com seu nome bordado.

A única coisa que chamou a atenção da paciente foi o fato de Toldo não assinar a receita de medicamentos nem a guia de retorno da consulta. “O médico comentou que estava há cinco meses no Brasil, que morou nos Estados Unidos e trabalhava na ONU. Por isso ainda não tinha registro no Conselho Regional de Medicina”, disse. Leila percebeu ainda que Toldo tinha bastante familiaridade com a equipe do hospital.

“Fico triste com essa situação. Eu não tenho nenhuma coisa grave, mas se é um paciente de risco? Infelizmente ele colocou a vida das pessoas em risco. Coração é uma coisa muito séria”, lamentou.

 A assessoria de imprensa do Hospital Cruz Vermelha informou que vai se pronunciar depois de analisar todas as informações sobre o caso. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que “é responsabilidade de qualquer instituição médica certificar-se da regularidade da inscrição de cada profissional antes de recrutar seus serviços, exigindo-se a coleta dos originais dos documentos comprobatórios para o exercício da atividade.” Em relação ao caso de Toldo, as punições são previstas em lei. Confira a nota completa:

Médico só pode exercer atividade se registrado no Conselho

O Conselho Regional de Medicina do Paraná manifesta que é responsabilidade de qualquer instituição médica certificar-se da regularidade da inscrição de cada profissional antes de recrutar seus serviços, exigindo-se a coleta dos originais dos documentos comprobatórios para o exercício da atividade. A ausência de registro no CRM-PR caracteriza exercício ilegal da profissão, sendo que a direção técnica de serviço de saúde pode vir a responder eticamente por eventual omissão na contratação. Outrossim, não sendo médico ou não dispondo de registro, o infrator fica sujeito às sanções penais previstas em lei, como falsidade ideológica e documental, estelionato e exercício ilegal da profissão, com o procedimento ficando a cargo da Polícia Judiciária. No caso em questão, o CRM ressalta ter contribuído para o trabalho policial, na detecção da irregularidade, e que agora aguarda cópia dos autos da Delegacia de Estelionato para análise de eventual medida administrativa. A regularidade de médicos pode ser conferida por qualquer cidadão no Portal do Conselho - www.crmpr.org.br -, também com orientações de como denunciar falsos médicos ou maus profissionais.