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"Para mim, ele estava morto", diz nora que reconheceu corpo em Londrina

Foi Ivanilde da Costa quem reconheceu o corpo de Milton Alves de Souza, de 68 anos, no Hospital da Zona Norte. "Para mim, ele estava morto", confessa. Horas depois, enquanto o corpo dele era preparado na Acesf, os funcionários notaram que ele estava vivo, respirando, e acionaram o Samu. Milton está internado na UTI da Santa Casa em estado grave, inconsciente e respirando por aparelhos.

“Estava no cemitério aguardando o corpo para o velório quando recebi a ligação para ir rápido para a Acesf e a Santa Casa porque ele estava vivo”, conta a nora, lembrando todo o procedimento que já havia sido feito. "Você passa por todo transtorno de escolher caixão, naquele ambiente horrível, outras pessoas mortas. Compra túmulo, faz documentação, avisa as pessoas que ele faleceu, para depois vir a notícia de que ele está vivo", completa, lembrando que as seis horas em que o sogro ficou sem ajuda de oxigenação tenham agravado o quadro clínico.

 Milton teve vários problemas de saúde, como úlcera varicosa em uma das pernas que causou uma infecção grave, já teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e quadro de insuficiência renal, fatores que desencadearam em quatro paradas cardiorrespiratórias sofridas nesta semana.

Segundo Luís Koury, diretor do Hospital da Zona Norte, por volta das 15h de quinta-feira (22) a enfermeira constatou a morte e chamou a médica de plantão, que confirmou o óbito, ouvindo o coração com o estetoscópio e a checagem de pulso.

O Hospital montou uma comissão interna para investigar o caso e a médica que atestou a morte já apresentou um relatório sobre o caso nesta manhã. A enfermeira também vai ser ouvida.

 São investigadas as hipóteses de narcolepsia, distúrbio do sono que sinais vitais diminuem a quase zero, tornando o pulso e a respiração quase imperceptíveis. Outra possibilidade é a Síndrome de Lázaro, em que o coração para de bater e volta subitamente depois, sem explicação plausível. Esta síndrome foi observada em cerca de 30 pacientes nos últimos 30 anos.

A família de Milton informou que fará o boletim de ocorrência sobre o caso.