23°
Máx
12°
Min

Parada Gay será neste domingo em defesa da Lei João Nery

- Parada Gay será neste domingo em defesa da Lei João Nery

Maringá terá Parada LGBT neste domingo (22) como encerramento da Semana Maringaense de Combate à LGBTfobia, que discutiu temas ligados ao avanço dos direitos das lésbicas, gays, bissexuais e transexuais.

A vice-presidente da Associação Maringaense LGBT, Margot Jung, esteve na redação do Massa News, onde contou como foram os debates e os preparativos da parada, que é uma grande festa, mas também um ato político em defesa desse público.

O evento terá como tema a aprovação da Lei João Nery, que permite a inclusão do nome social de pessoas trans em cartório, sem a necessidade de determinação judicial.

  • Massa News: Como foram os debates da Semana LGBT em Maringá?
  • Margot: Na segunda-feira (16), o tema foi transexualidade, racismo e religiosidade. Nós tivemos o Jean Carlo que é um homem transexual, a Paula Warmiling, uma mulher trans, e a mãe Clô, uma mulher negra transexual e de uma religião de matriz africana. O debate foi bastante focado na questão da Lei João Nery, na dificuldade de acesso à saúde e ao processo de readequação.
  • Massa News: Parece que a questão da transexualidade é de mais difícil discussão do que a homossexualidade. Como você avalia?
  • Margot: A gente precisa parar de se referir às pessoas como homem trans, mulher trans. É algo que a gente precisa parar de apresentar as pessoas “ah, esse aqui é o Zé, ele é homem trans”. Não, esse é o Zé, pronto e acabou. Parar de fazer essa diferenciação que acaba expondo e exibindo em excesso essas pessoas, que na verdade são como todas as outras.
  • Massa News: Como foram as discussões do segundo dia sobre bissexualidade?
  • Margot: Foi a primeira vez que nós tivemos bissexualidade nos debates da semana e foi maravilhosa a aceitação das pessoas que participaram. A Paulinha Mariá e a Daniara Thomas foram debater com a gente. O principal aspecto tratado foi o apagamento das pessoas bissexuais. Normalmente, quando uma pessoa bissexual está se relacionando com alguém do sexo oposto, ela é considerada e vista como uma pessoa heterossexual. Quando ela está se relacionando com uma pessoa do mesmo sexo, aí ela é vista, tachada, respeitada ou desrespeitada como uma pessoa homossexual. O problema principal das pessoas bissexuais é a falta de reconhecimento desse segmento. Porque muitas vezes essas pessoas são julgadas pela sociedade como sem-vergonha, sem caráter, pessoas que não sabem o que querem da vida.
  • Massa News: A questão dos direitos também foi tratada dentro da Semana de Combate à LGBTfobia.
  • Margot: Na quarta-feira (18), nós tivemos a professora Crishina Correa, ela é professora da Universidade Estadual de Maringá, de um dos departamentos de Direito e falou sobre legislação e o direito LGBT.
  • Massa News: Como você avalia a questão da legislação em prol dos cidadãos LGBT?
  • Margot: Até 2013, meados de 2014, as coisas estavam andando relativamente bem, mas depois de 2014 – que foi eleito o Congresso mais conservador desde a ditadura militar – nada mais avançou. Exemplo disso é a lei de criminalização da homofobia, que desde 2006 está parada. E a lei João Nery, que desde 2013 também está parada. É a lei da alteração do registro de nascimento pelo nome social diretamente no cartório, sem passar por vias judiciais.
  • Massa News: E o processo de autoaceitação?
  • Margot: Na quinta-feira (19) foi o psicólogo Luiz Carlos Castro Lopes. Ele falou sobre a autoaceitação, ‘saindo do armário’. Tratou principalmente da dificuldade que a pessoa LGBT encontra ao se descobrir. Nem todo LGBT se lança no mundo. Normalmente, ele primeiro passa por um processo de reconhecimento da sua condição sexual, depois de aceitação, para depois acontecer o processo de se assumir diante da família e da sociedade.
  • Massa News: Como é a questão do preconceito?
  • Margot: O preconceito ainda existe. É por isso que a gente sempre fala que o ideal é que todas as pessoas LGBT tenham dentro de casa o apoio da família. A família é o lugar onde a gente se sente mais protegido, tranquilo e amparado.
  • Massa News: O número de pessoas trans que saem de casa, expulsas, e são vítimas de violência é grande.
  • Margot: Quando não é vitima de violência, ela própria se mata. Existem muitos casos de suicídio de pessoas transexuais antes dos 18 anos. É um índice bastante alto e preocupante. As pessoas transexuais sofrem mais mesmo. Porque você tem uma construção daquela pessoa e depois tem de desconstruir tudo aquilo.  Realmente é um processo não muito fácil, mas é um processo pelo qual dá para se passar com ajuda, com apoio.
  • Massa News: O mundo do trabalho também foi um tema.
  • Margot: Nesta sexta-feira (20), nós tratamos de LGBTfobia e racismo no mundo do trabalho. Chegam até nós reclamações de pessoas que são tratadas com diferenças no local do trabalho. Cliente que, às vezes, chega a uma loja e pede para não ser atendido por pessoas visivelmente homossexuais ou assumidamente transexuais.
  • Massa News: Vocês fizeram um debate sobre a relação entre LGBTfobia e racismo. A pessoa negra e LGBT sofre mais preconceito?
  • Margot: “Não bastava ser preto, tinha que ser homossexual.” As pessoas LGBT negras ouvem muito isso, porque a gente sabe que o racismo é uma prática infeliz que acontece todos os dias. Para uma pessoa LGBT e negra é duas vezes mais difícil. Quando essa pessoa é uma mulher, lésbica, transexual ou bissexual e negra é três vezes pior. Por isso que o feminismo, a luta contra o racismo e a luta contra a LGBTfobia sempre têm que caminhar juntas.
  • Massa News: A Parada LGBT encerra a semana. Como será o evento?
  • Margot: O tema vai ser a aprovação imediata da Lei João Nery. Ela começa às 14h na praça Renato Celidônio. Às 16h, vamos para o estacionamento do estádio Wiillie Davis e lá ficamos até as 21h. A parada  é uma grande festa. É o encerramento da Semana Maringaense contra a LBGTfobia. Nós viemos a semana toda em um processo politico e a parada é o grande ato político que encerra essa semana.
  • Massa News: Quem está convidado para a parada?
  • Margot: Não é só o público LGBT que participa da parada, famílias de todos os tipos, pessoas hétero, pessoas idosas, cachorro, gato, calopsita... É um momento para que todas as pessoas se unam, se conheçam, se respeitem nas suas diferenças e singularidades.

 Mais informações sobre a parada estão na página da Associação Maringaense LGBT no Facebook