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Pela primeira vez, UEM gradua duas transexuais

(Foto: Divulgação/UEM) - Pela primeira vez, UEM gradua duas transexuais
(Foto: Divulgação/UEM)

Na semana em que um travesti de 14 anos foi encontrado morto, em um assassinato motivado pela homofobia, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) destaca um exemplo de diversidade e respeito. Nos dias 14 e 15 deste mês, a instituição graduou cerca de mil novos profissionais, com a formatura de Daniele de Oliveira e Naomi Neri, as primeiras transexuais a obterem o diploma na história da UEM.

Daniele e Naomi ainda conseguiram o direito de usar os nomes sociais, como se identificam atualmente, na documentação interna da universidade. Em agosto de 2010, Daniele de Oliveira foi pioneira ao entrar com um pedido para que seu nome social passasse a ser adotado.

Dois anos depois, a universidade passou a identificar transexuais e travestis pelo nome que utilizam habitualmente e, em 2013, saiu a regulamentação, oficializando a prática. No ano passado, a Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAA) adequou o sistema de acordo com a normatização aprovada.

Caminho longo a se percorrer

A professora do Departamento de Direito Público da UEM, Crishna Correa, está estudando a questão transexual nas universidades. Dados colhidos em sua pesquisa de doutorado mostram que apenas 37% das universidades públicas do Brasil regulamentaram o uso do nome social.

No Paraná, além da UEM, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPR) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também têm a prática. Além disso, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) está em tramitação.

Formada em Pedagogia, Daniele defendeu, no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o estudo “Histórias Orais: Educação Sexual e Informal de Docentes do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá”. Já Naomi se formou em Biologia com o trabalho “Transexualidade e Formação de Professoras/es: como são vistas as/os trans na escola?”

A questão de gênero vem sendo debatido na UEM dentro do Grupo de Estudos das Pedagogias do Corpo e da Sexualidade (Gepecos) e do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Diversidade Sexual (Nudisex).

Ambos defendem a importância da discussão sobre o assunto, especialmente no momento de luta organizada contra a homofobia e outros tipos de preconceito, que acabam motivando tragédias, como a morte de Luana Biersack, de apenas 14 anos, em Novo Itacolomi.

Colaboração Assessoria UEM