22°
Máx
14°
Min

Pesquisa aponta despreparo para contratação de pessoas com deficiência

(Foto: Divulgação) - Pesquisa aponta despreparo na contratação de pessoas com deficiência
(Foto: Divulgação)

A terceira edição da pesquisa “Profissionais de Recursos Humanos: expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, realizada pela iSocial / Catho, com o apoio da ABRH-Brasil, Associação Brasileira de Recursos Humanos, revela que 65% dos profissionais da área ‘poderiam estar mais preparados’ para recrutamento de deficientes. A pesquisa também revela que 64% possui dificuldade de enquadrar candidatos na cota estabelecida por lei, por falta de informação.

A pesquisa engloba a opinião de 1.459 profissionais de RH das empresas instaladas no País. Seu principal objetivo é apontar as dificuldades que as organizações enfrentam para contratar e manter os profissionais com deficiência.

Em 2016, o fato se agrava diante da visível retração dos empregos formais no Brasil, com consequências nas oportunidades para as pessoas com deficiência. 35% dos entrevistados afirmam que o mercado está retraído e 9% praticamente inexistente neste ano, enquanto que esse volume era a opinião de 33% dos profissionais de Recursos Humanos nos dois últimos anos (25% retraído e 8% praticamente inexistente).

Em relação à qualidade das vagas, 60% dos entrevistados afirmam que é regular e que poderia ser mais adequada aos perfis profissionais, e 16% revelam que são ruins ou inadequadas. Sendo assim, os números demonstram que na maioria das vezes, a escolha do candidato não se faz por suas competências e sim pela sua deficiência, invertendo o processo de seleção justo e eficaz.

“O RH estratégico age proativamente, pesquisando e elaborando conhecimento, para municiar a alta direção na sua tomada de decisão. Identifica a questão da Inclusão da pessoa com deficiência como vital para o negócio para manter-se competitivo. Os programas em desenvolvimento pelas empresas que já entenderam essa necessidade, parte da revisão e alinhamento a valores contemporâneos, que requerem mudança de modelos mentais presos ao preconceito e a discriminação”, afirma Jorgete Lemos, Diretora de Diversidade da ABRH-Brasil.

Preconceito

De acordo com a pesquisa o preconceito está presente no ambiente de trabalho, seja ele por colegas (43%), gestores (33%) ou até por clientes (24%). Os números permanecem praticamente inalterados nos anos anteriores.

Com relação a empresa ter um programa para quebrar o preconceito de gestores para a contratação da pessoa com deficiência, 73% dos entrevistados informam que não tem.

Outro dado identificado na pesquisa é a receptividade dos gestores com os candidatos deficientes. Para 59% dos entrevistados, os gestores possuem resistência em entrevistar e/ou contratar profissionais com deficiência. Mas é perceptível também o aumento entre os que não apresentam resistência: 41% em 2016 ante 33% em 2015.

Cotas

A Lei de Cotas criada há 25 anos ajudou a mudar o cenário de contratação, e incluir esses profissionais no mercado de trabalho. Porém, o que esta pesquisa indica é que alguns pontos evoluíram e outros ainda necessitam de atenção.

Pela lei, as empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência. Por conta disso, 86% dos entrevistados afirmaram que o principal motivo das contratações deste público é para atender a legislação.

“A contratação de PcD só para cumprir a Lei de Cotas, 86% segundo o estudo, mantendo-se neste patamar desde 2015, revela um estágio muito incipiente em termos de cultura e de gestão incompatível com o discurso que ouvimos da maioria das empresas. Essa seria uma fatia muito estreita a desarticular toda a cadeia evolutiva da Gestão de Pessoas”, completa Jorgete.

De acordo com o Ministério do Trabalho o número de pessoas com deficiência ocupando uma vaga nas companhias é quase três vezes menor do que a real capacidade prevista na legislação. Conforme os registros da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho de 2014, foram declarados 381,3 mil postos e, se conseguissem atingir a quantidade prevista em lei, seriam 827 mil vagas destinas a este público nas empresas.

Baixa Qualificação

Em relação à qualificação das pessoas com deficiência, 41% dos entrevistados consideram que estão abaixo da média, ante 34% em 2015 e 31% em 2014, o que demonstra uma percepção de queda na qualidade dos candidatos com deficiência.

A porcentagem dos profissionais de RH que julgam a qualificação positiva não chega a 7%: um pouco acima da média, 5%, e muito acima da média, 1%. Em 2014 e 2015, os candidatos um pouco acima da média estavam em 8%.

Obstáculos para processo de inclusão

Cerca de 59% dos entrevistados consideram como os principais obstáculos de inclusão nas empresas a “falta de acessibilidade”, seguido de “foco exclusivo no cumprimento da cota” (46%) e “baixa qualificação de PcD” (40%) e a falta de preparo dos gestores (35%).

Em relação aos investimentos em tecnologia e infraestrutura para receber esses profissionais e em apoio à sua deficiência, 46% responderam que investem parcialmente.