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PF desarticula esquema milionário de contrabando

Após 23 meses de investigação, a Polícia Federal, com participação da Receita Federal, deflagrou a Operação Formiga. A ação foi desencadeada nesta terça-feira (2) para desarticular grupos criminosos que atuavam em esquemas de contrabando e descaminho de produtos importados em Santa Catarina e no Paraná.

Os principais envolvidos no esquema criminoso movimentaram aproximadamente R$ 18 milhões com a comercialização dos produtos descaminhados. O prejuízo ao erário é estimado em R$ 4,8 bilhões com a sonegação de tributos federais, como o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de condução coercitiva nas cidades paranaenses de Barracão, Santo Antônio do Sudoeste, Francisco Beltrão, Marmeleiro e Curitiba, além das cidades catarinenses de Dionísio Cerqueira e Xanxerê.

Segundo informações da PF, a investigação começou ainda em 2013, após a descoberta de um galpão na cidade de Marmeleiro onde era estocados produtos trazidos ilegalmente da Argentina. Entre os produtos, estavam principalmente vinhos e energéticos, que depois seriam distribuídos para comerciantes brasileiros.

O transporte até os depósitos era feito em pequenas quantidades, normalmente em carros de passeio, no que foi chamado de ‘contrabando formiga’. A partir do galpão, os produtos eram levados por caminhões de transportadoras com notas fiscais falsas.

A investigação apontou a existência de uma organização criminosa formada por quatro grupos. O ponto que ligava essas equipes eram os fornecedores, que atuavam a partir de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste, de onde as mercadorias eram levadas para Francisco Beltrão, Marmeleiro e Pato Branco. A partir dali, os produtos eram distribuídos para compradores na região sul do país e em São Paulo.

Para favorecer o sucesso da operação, os grupos corrompiam servidores públicos. Um dos investigados era de Santo Antônio do Sudoeste, que mantinha um comércio na cidade argentina de San Antônio, suspeito de corromper um servidor da Receita Federal e dois vigilantes que prestavam serviço ao setor de aduana da cidade. A ação facilitava a passagem das mercadorias que eram vendidas pela loja argentina.

O suspeito que atuava em Curitiba vendia vinhos da Argentina e foi apontado como responsável por corromper um policial militar de Dionísio Cerqueira (SC). O PM fazia as funções de informante e atuava como ‘batedor’ das cargas. Os servidores investigados na operação tiveram o afastamento determinado pela Justiça.

De acordo com a PF, os envolvidos no esquema foram indiciados nos crimes de descaminho, contrabando, associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de capitais.