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PM confirma 2 mortos e 2 feridos em confronto com o MST

A Polícia Militar confirmou na noite desta quinta-feira (07), em uma coletiva à imprensa, a morte de duas pessoas no confronto armado, em Quedas do Iguaçu.

Conforme o Tenente-coronel, Washington Lee Abe, duas pessoas ficaram feridas e outras duas acabaram presas pelas equipes.

O comandante explicou que os militares tentavam ajudar a equipe da Brigada de Incêndio da Araupel, no combate a um foco de fogo, no entanto, no meio do caminho, as equipes foram surpreendidas pelos integrantes do MST.

Os Sem Terra estavam em motos e em um ônibus. As 40 pessoas bloquearam a passagem dos militares, dando início ao confronto armado.

Ainda conforme a PM nenhum militar ficou ferido. Todos os atingidos seriam integrantes do MST.

O socorro aos feridos

Os feridos foram socorridos por ambulâncias locais e levados ao hospital da cidade. Uma aeronave do Consamu foi deslocada para transferir as vítimas até hospitais de Cascavel.

Uma delas foi levada pelo helicóptero do Programa Paraná Urgência, operado pelo Consamu, ao Hospital Universitário de Cascavel com fratura exposta na perna esquerda. O homem foi identificado como Henrique Gustavo Souza Pratti, 27 anos.

O outro ferido foi transferido de ambulância até o Hospital São Lucas de Cascavel. Ele foi regulado para a chamada vaga 0, em estado grave. A identificação ainda não foi confirmada.

Boatos de invasão

Logo após o confronto vários boatos tomaram conta da cidade. Um deles informava que as quase 7 mil pessoas que estão acampadas na fazenda da Araupel tomariam conta de Quedas do Iguaçu.

Por conta disso, efetivos policiais de várias cidades do Paraná foram acionados para dar apoio no local do confronto. Entre as forças de segurança, seguem ao acampamento, militares, civis e também equipes da Criminalística e do IML.

Conforme o comando da PM a necessidade do efetivo é para garantir a tranquilidade e a ordem na cidade. Além disso, os investigadores da Polícia Civil vão apurar os fatos ocorridos e levantar informações que contribuam para o inquérito.

Versão do MST

Em nota, publicada no site oficial do MST, o movimento relatou o ocorrido.

Confira na íntegra:

Na tarde dessa quinta-feira (7), duas equipes da Polícia Militar do Paraná, acompanhadas de seguranças da empresa Araupel atacaram o acampamento Dom Tomás Balduíno, na região de Quedas do Iguaçu, Centro do estado.

Até o momento existe a confirmação de dois mortos e aproximadamente seis feridos - o número exato ainda não foi confirmado -, pois a polícia militar está, nesse momento, impedindo a aproximação de integrantes do Movimento no local.

Histórico

O acampamento, localizado em uma área pertencente a empresa Araupel, está organizado com 2500 famílias, cerca de sete mil pessoas.

Os Sem Terra do local sofrem com constantes ameaças por parte de seguranças e pistoleiros da empresa, ameaças essas que contam com a conivência do governo e da Secretária de Segurança Pública do Estado.

Conflitos agrários no estado

Este cenário reflete parte do clima de tensão que nasce na luta pelo acesso à terra e contra a grilagem na região. O conflito tem relação com o surgimento de dois acampamentos do MST na região centro-sul do Paraná, construídos nas áreas em que funcionam as atividades da empresa Araupel, exportadora de pinus e eucalipto.

O primeiro acampamento, Herdeiros da Terra, está localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu. A ocupação aconteceu em 1º de maio de 2014 e hoje abriga mais de mil famílias. Ali, elas possuem aproximadamente 1,5 mil hectares para a produção de alimentos.

O segundo acampamento, Dom Tomás Balduíno, cuja ocupação teve início em junho de 2014, possui 1500 famílias e fica na região de Quedas do Iguaçu. Ao contrário da outra ocupação, esta possui 12 alqueires de área aberta, sendo apenas 9 - cerca de 30 hectares - utilizados para o plantio.

Procurado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou não poder se posicionar sobre o caso, já que trata-se de um acampamento, e não assentamento. Já a Ouvidoria Agrária Nacional informou que não tem informações sobre o caso, mas que está verificando o ocorrido.