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Polícia afirma que primeiro tiro foi dado pelo MST durante confronto em Quedas do Iguaçu

O secretário estadual da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, comentou na tarde desta sexta-feira (8) o confronto entre policiais militares e integrantes do Movimento Sem Terra (MST) em uma fazenda em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná.

De acordo com ele, o policiamento na região ganhou reforços ainda no ano passado, devido ao recebimento de “muitas informações de crimes graves de ameaça, porte ilegal de arma, extração ilegal de madeira, cárcere privado, venda de carne furtada e furto de gado”.

“A questão de segurança estava muito grave no ano passado, com incidência criminal muito grande e por conta disso se tornou o foco da segurança pública, o controle da criminalidade”, disse Mesquita. Para isso, foi solicitado reforço no efetivo, com a presença da Força Nacional, Polícia de Fronteira, Polícia Ambiental e Judiciária.

Sobre a ação que resultou na morte de dois integrantes do MST, a coronel Audilene, da Polícia Militar (PM), afirmou que os policiais foram à fazenda da Araupel para fazer uma verificação do impacto ambiental. A equipe da PM foi acompanhada pela Rotam e logo que desceram das viaturas ouviram um tiro. “E aí sim foram efetuados vários disparos. Segundo testemunhas, o tiro partiu de uma caminhonete escura. Eles estavam na carroceria vindo de encontro aos policiais”, disse.

A coronel disse ainda que os tiros foram dados pelos policiais para que eles pudessem se defender. “É normal que num confronto, quem tem menos treinamento tenha maior possibilidade de sair ferido”, comentou. Sobre a informação de que um dos mortos foi atingido pelas costas, a coronel afirmou que isso será verificado pela perícia.

Depoimento

Durante a coletiva, foi divulgado o trecho do depoimento de um integrante do MST identificado como Pedro Francelino. No documento, ele afirma que foi convidado para um “protesto normal”. “Levei foice, que é uma coisa que é a nossa ferramenta de trabalho. Chegamos lá e um engraçadinho saiu pra fora atirando pra cima e o policial revidou. Só isso só que aconteceu”.

De acordo com o depoimento, o interrogado reconheceu que o primeiro tiro partiu dos integrantes do Movimento Sem Terra. “Foi do rapaz que morreu, que entrou em óbito lá, com o revólver na mão”, disse ele que não soube dizer qual o nome do homem, pois ficou apenas dois meses no acampamento.

O sem-terra contou ainda que estava no acampamento São Tomás Balduíno e que a convocação para o protesto foi feita pelos coordenadores do movimento, que ele também não soube identificar. “Lá é soltado um foguete e organizando todo mundo pra vir pra manifestação (...) Eles pedem pra fazer, só que não era pra ser isso na realidade”.

Dois inquéritos foram abertos, pela Polícia Militar e pela Polícia Civil. A Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público devem acompanhar as investigações.

Colaboração Rede Massa