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Polícia prende mãe e padrasto acusados de abusar sexualmente de bebê de 1 ano

(Foto: Divulgação) - Mãe e padrasto são presos por abusar de bebê de 1 ano
(Foto: Divulgação)

Um crime que não dá nem mesmo para nominar. Crueldade, covardia, barbárie, tudo isso é pouco diante da violência extrema pela qual passou um bebê de apenas 1 ano. O menino foi, de acordo com a delegada Tatiana Guzela, da Delegacia da Mulher de São José dos Pinhais, “abusado sexualmente desde que tinha três meses de vida”. “A mãe e o padrasto foram presos, mas é preciso explicar que os abusos eram praticados pela mãe da criança, que disse em depoimento que era obrigada a cometer os atos”, afirma a delegada.

O casal foi preso na última semana, mas até chegar a este ponto, muita coisa aconteceu. A delegada explicou que as investigações apontaram para o fato de que a mãe era mantida em cárcere pelo padrasto da criança. “Ela não podia sair de casa, era vigiada constantemente, pelo menos foi o que ela nos disse”.

O casal mantinha um relacionamento há 18 meses, aproximadamente. Conforme o que foi apurado pela polícia, “ela acusa o marido de obrigá-la a abusar sexualmente do filho, de filmar os abusos e de obrigá-la a se prostituir”, diz.

Na casa da família, a polícia localizou pendrives com 43 imagens chocantes da mãe violentando o filho. “São imagens muito fortes. E nós ficamos pensando o que pode ter ocorrido sem que fosse filmado, o quanto essa criança sofreu”.

De acordo com o depoimento da mulher, “ele marcava os programas para ela, que era obrigada a manter relações sexuais sem preservativo e tinha que durante o ato, ligar para o marido que queria ouvir a relação com o cliente”. “Quando ela chegava em casa, era obrigada a manter com o marido relação sexual igual a praticada com o cliente”.

Entenda

O caso chegou ao conhecimento da polícia através de uma denúncia informal da mãe da criança. Conforme a polícia, ‘cansada’ dos abusos, ela teria pedido ajuda a uma tia que mora no interior do Estado. Ela teria inclusive, enviado a tia um dos vídeos em que abusa do bebê. A tia a ajudou financeiramente e ela foi para a cidade de Roncador. Na cidade, ela procurou o delegado e informalmente relatou a situação. O delegado afirmou que ela precisava formalizar a denúncia, mas não deu tempo, pois o ‘marido’ foi até o interior para buscá-la. “Ele, segundo ela, a forçou a voltar usando as imagens que tinha dela abusando do bebê”, disse Tatiana. “Inclusive, ele chegou a mostrar uma das imagens para familiares dela, dizendo que ela tinha problemas”, acrescentou.

O atual marido da acusada, também procurou o pai biológico da criança e mostrou um desses vídeos para ele e o incentivou a ‘tirar a guarda da criança da mãe’. “Tanto, que o pai do menino, foi junto com ele para o interior para pegar a criança”, revela.

O que aconteceu, é que a mulher ligou para a polícia em Roncador, e contou que o marido a estava forçando a voltar. A polícia chegou a ir até a casa da família, mas eles já tinham saído. “Ela foi sequestrada por ele, que a obrigou a voltar com ele para São José”.

O delegado de Roncador, acionou a polícia de São José dos Pinhais, que foi até a casa do casal esperar por eles. “Na casa, moravam as duas filhas do acusado, uma de 16 e outra de 19 anos. Elas perceberam pessoas diferentes em frente à casa procurando pelo pai e avisaram ele, que mandou que elas chamassem a polícia”, disse. “A Polícia Militar foi até lá, e em contato com nossa equipe, ficou para dar apoio na ação”.

Quando o casal chegou, recebeu voz de prisão. E, para quem pensava que acaba aí, está enganado, a história estava só começando.

Mais crimes

As filhas do acusado colaboraram com a polícia, inclusive foram elas que ajudaram a polícia a encontrar os pendrives. Elas também falaram que “a mãe, também havia sofrido os mesmos tipos de violência”. As filhas, no entanto, nunca teriam sido abusadas. “A mãe delas, que foi casada com o acusado por 17 anos, mora no interior. Ela foi contatada e veio para São José onde relatou tudo o que passou”.

De acordo com o depoimento da ex-mulher do acusado, “ela também era obrigada a se prostituir, nos mesmos moldes do que ocorria com a mãe da criança”. “Ela relata que teria regredido em uma surra, na idade mental de 5 anos, sendo cuidada pela mãe e pelas filhas. Passou mais de 6 meses com essa idade mental, ele batia na cabeça dela”, conta a delegada. “Ela perdeu a memória, estava cega, surda e muda por mais de um mês, e ele abusava, a torturava. Chegou a ficar internada em hospital psiquiátrico”.

A polícia busca confirmar estas informações junto aos órgãos de saúde citados pela vítima.

A criança

A criança foi entregue ao Conselho Tutelar, e na sequência entregue ao pai biológico. E, tem mais barbárie aí. A mãe relatou a polícia, que quando a criança nasceu, o padrasto, que não queria que o pai biológico tivesse contato com a criança, teria forjado uma ameaça com arma, o que levou a mãe a pedir medida protetiva. “A Justiça, diante das provas forjadas concedeu a medida, e o pai não tinha contato com o filho”.

Acusação

A polícia agora segue com as investigações e afirma que ainda precisa avaliar até que ponto a mãe da criança é vítima. “Ela, em alguns crimes é vítima, mas em outros, ela é autora”, afirma a delegada.

O padrasto, foi indiciado por sequestro, cárcere privado e abuso sexual presumido, continuado. O caso das agressões contra a ex-mulher também foi reaberto. Os dois estão presos, em unidades penais distintas e em alas reservadas para acusados de estupro.

(Foto: Marcus Carazzai/Rede Massa)(Foto: Marcus Carazzai/Rede Massa)

Colaboração Paula Schreiber