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Polícia recebe 100 registros de pessoas desaparecidas por mês em Curitiba

(Foto: CFM- Conselho Federal de Medicina SP) - Polícia recebe 100 registros de pessoas desaparecidas por mês em Curitiba
(Foto: CFM- Conselho Federal de Medicina SP)

Curitiba registra, em média, 100 casos de pessoas desaparecidas por mês. A informação é do delegado titular da Subdivisão de Proteção à Pessoa (DHPP), Jaime da Luz, que afirma que o índice vem se mantendo nos últimos 10 anos.

A capital conta com 329 registros no Sistema de Pessoas Desaparecidas, atualizado pela Polícia Civil. Estas ocorrências representam os boletins de ocorrência aberto por familiares das vítimas, que nem sempre comunicam as autoridades sobre a volta dos desaparecidos, o que dificulta o trabalho dos investigadores.

Desde o começo do ano, apenas um caso de desaparecimento se transformou em inquérito policial em Curitiba. Em todo o estado são 25 inquéritos em andamento desde janeiro e 1136 registros. O delegado explica que a investigação mais profunda acontece quando o caso “não indica a vontade de desaparecimento” por parte da pessoa.

“Investigamos quando há a possibilidade de ocorrência de crime, geralmente um homicídio ou sequestro. Como não tem a localização do corpo, o caso continua como desparecido”, explica Luz.

Buscas

O caso que se transformou em inquérito na capital é o desaparecimento de João Carlos de Jesus, que tem todas as características apontadas pelo delegado. No fim de março, Jesus deixou o emprego de porteiro em um condomínio alegando sofrer ameaças. Na última vez em que foi visto, ele estava acompanhado por um homem desconhecido.

O desaparecido é natural de Aracaju, em Sergipe, mora há oito anos em Curitiba e não tem nenhum familiar na cidade. De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado, com checagens diárias em hospitais e no Instituto Médico Legal, já que não está descartada a hipótese de homicídio.

Procura imediata

As ocorrências de pessoas desaparecidas são classificadas conforme a idade da vítima – entre 12 e 18 anos e acima de 18 anos. A faixa etária também caracteriza o que muitas vezes motivou o desaparecimento. “A faixa envolvendo jovens e adolescentes tem como motivação desentendimentos familiares não muito graves. Nas demais idades tem até o envolvimento com crimes, drogas. Também tem a faixa mais acima, envolvendo idosos e pessoas com deficiência”, comenta.

O delegado orienta que a comunicação do desaparecimento deve ser feita assim que identificado pela família. “Tão logo a família perceba uma atitude que escapa da rotina, é importante fazer o registro na delegacia, em qualquer delegacia. Hoje a legislação estadual e federal obriga a busca imediata, principalmente de crianças e adolescentes”, afirma. É importante passar o máximo de informações e também fornecer uma foto. Assim que todos os dados são fornecidos, a ocorrência é publicada no sistema.

“Temos uma média de solução de 90%, mas muitos casos não são encerrados porque as famílias não notificam o reaparecimento, principalmente nos casos de adolescentes. Assim os registros ficam mantidos em aberto”, comenta Luz.