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Prefeito quer barrar testes de exploração de petróleo no Norte Pioneiro

(foto: Divulgação) - Prefeito quer barrar testes de exploração de petróleo no Norte Pioneiro
(foto: Divulgação)

A empresa Global Serviços Geofísicos realiza testes sísmicos para eventual exploração de petróleo em cidades do Norte Pioneiro desde 27 de maio. A atividade fez com que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) encaminhasse ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, informações dos eventuais licenciamentos ambientais emitidos pelo governo federal para "informar a população afetada sobre as atividades autorizadas e possíveis impactos da realização de testes sísmicos".

Em Ribeirão Claro, o prefeito Geraldo Maurício Araujo contou que a empresa descumpriu um acordo de não realizar sísmica dentro da cidade. "Mesmo assim, os caminhões estiveram em algumas ruas e os tremores provocaram alguns prejuízos em vidraças, tetos de gessos e agitação entre a população", conta.

Um dos articuladores do projeto Angra Doce, criado para alavancar o turismo na região, o prefeito quer impedir que as experiências prosperem. "Estamos tomando as providências que nos cabem para proteger a nossa gente, nossa cidade e a região como um todo, encaminhando à Câmara de Vereadores uma lei que proíba esse tipo de tecnologia aqui", adianta.

Encampado por 15 municípios que margeiam os rios Paranapanema e Itararé no lago formado pela Usina Hidrelétrica de Xavantes, o projeto Angra Doce pretende consolidar o turismo na região e recebeu o nome de Angra (por similaridades com Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro) Doce (por ser de água doce). Atualmente, turistas dos quatro cantos do Brasil escolhem o local com vegetação remanescente da Mata Atlântica para prática de esportes como canoagem, rafting, trekking, voo livre, paraglider, passeios náuticos, cavalgadas, caça e pesca.

Integram o Projeto Angra Doce cinco municípios do Paraná: Jacarezinho, Ribeirão Claro, Carlópolis, Siqueira Campos e Santana do Itararé; e 10 de São Paulo: Ourinhos, Chavantes, Fartura, Itaporanga, Canitar, Ipaussu, Timburi, Piraju, Bernardino de Campos e Barão de Antonina.

Preocupada com a intenção do governo federal em fazer Fracking numa região de Mata Atlântica e grandes reservas de água doce que abastecem o Aquífero Guarani, a COESUS alertou prefeitos do Norte Pioneiro sobre os testes e os perigos e impactos para o ambiente, as reservas de água subterrâneas e de superfície, a agricultura, a saúde das pessoas e animais e para o clima. 

Em nota, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que a pesquisa realizada não agride o meio ambiente e nem tem relação com fraturamento hidráulico ou gás não convencional (gás de xisto. "A ANP tem a atribuição legal de fazer estudos geológicos para aumentar o nível de conhecimento sobre as bacias sedimentares brasileiras. Uma bacia sedimentar é uma depressão da crosta terrestre onde se acumulam rochas sedimentares que podem ser portadoras de petróleo ou gás, associados ou não", diz a nota.