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Prefeitura está longe de resolver problemas de moradores de rua

(Foto: Arquivo/FAS) - Prefeitura está longe de resolver problemas de moradores de rua
(Foto: Arquivo/FAS)

*Os nomes são fictícios, para proteger a integridade dos moradores de rua e do comerciante que deram as entrevistas e que pediram para não serem identificados.

Carlos estava nervoso. Ele tinha dado dinheiro a um amigo, com a garantia de que ele voltaria com a pinga. Olhava de um lado para o outro, com medo que o rapaz não voltasse. Enquanto isso, esfregava as mãos e apertava o corpo para tentar se esquentar com a pouca roupa que tinha.

Ele só ficou calmo quando o rapaz, junto com outro morador de rua, chegou com a garrafa plástica, ainda cheia, para a alegria de Carlos. Aí sim, ele e os outros começaram a explicar as realidades de morar na rua.

Os três são usuários de drogas e estão fora de casa há bastante tempo. Hoje, inclusive, era o aniversário de Mateus, o morador de rua que chegou junto com Alessandro, o responsável por trazer a bebida.

Ele comentou que já está morando na rua há mais de 15 anos. Segundo Mateus, é uma realidade difícil de contornar. “Nós somos doentes, temos dependências e não há muita perspectiva para nós”.

Ele explicou que prefere não ir aos albergues, pela condição do local. “O problema de ir lá, é que ouvimos e vemos muitas coisas erradas. Eu poderia ir lá todos os dias, mas o ruim é que saímos pior do que quando entramos lá dentro.”

Para Carlos, o problema também está no tratamento restritivo a serviços básicos. “Legal, a gente vai lá, come, toma banho, mas aí tem que voltar para a rua. A gente não tem acesso a um tratamento para a nossa dependência ou uma oportunidade de emprego, para tentar mudar de vida”, afirmou.

O comerciante César, que trabalha na região central de Curitiba, relata que muitos moradores de rua costumam dormir em frente ao estabelecimento dele, durante a madrugada.

Segundo ele, muitos desses moradores recusam atendimento. Na visão dele, o tratamento mais longo e uma oportunidade para essas pessoas poderia ser uma solução para essas negativas. “Eu vejo que eles entram na Kombi da FAS e algumas horas depois já estão de volta na rua. Eles precisam de um atendimento mais intensivo”, destacou.

Truculência da Guarda Municipal

O trio, que alternava entre os goles e as pitadas do cigarro compartilhado, também reclamou da violência policial, em especial da Guarda Municipal de Curitiba, que costuma ser bastante truculenta em algumas oportunidades.

“Quando eles abordam a gente em lugares mais movimentados, encostam na nossa orelha e falam que a gente teve sorte de ‘ser pego’ aqui, porque se fosse em um beco, a gente ia apanhar”, afirmou Mateus. “E temos que apanhar quieto, porque se não piora para o nosso lado.”

O morador de rua ainda relatou que prefere pedir ajuda para traficantes e outros moradores de rua do que para a guarda ou para a polícia. “Eu acho que eles (guardas e policiais) têm muito mais preconceito. Eles nos tratam com violência e sempre estão nos xingando de vagabundo, essas coisas”, concluiu.